3/17/2009

A Epopeia de Zé Pequeno

Zé Pequeno é apenas o nome de um personagem bem comum na vida cotidiana. Ele não aparece só nos filmes para mostrar aos EUA o estado de selvageria em que se encontra o Brasil. A selvageria está em vários lugares, até nos mais educados.
Zé Pequeno é um cara meio esquisito, que as pessoas não gostam. Parece estar sempre com um ou dois pés atrás com todos. Além disso, tem muito medo do que falam sobre ele pelas costas. Isso o torna um cara inseguro. Não é a loucura que leva as pessoas às atitudes mais absurdas. É a insegurança.
Quando falam da rebimboca da parafuseta, ele precisa dar sua opinião firmemente, para que ninguém pense que é um banana. Se alguém também tem uma opinião sobre a tal rebimboca, não se conforma – afinal, todo inseguro acha que o mundo conspira contra ele. Se estiver pessoalmente ao lado de alguém que tem outra opinião, que não a dele, é capaz de matar, trucidar, pisotear, esquartejar. Quando não está pessoalmente, gosta de insultar. Insultar por todos os meios covardemente disponíveis pela sociedade do espetáculo denuncista: e-mail, telefone, etc.
Zé Pequeno é seu apelido porque se comporta como criança pequena. Se é contrariado (e só o fato das pessoas existirem deixam-no contrariado), torce o nariz, vira a cara, passa reto. Quando sua opinião vence, nem que seja sobre a velha e surrada rebimboca, torna-se altivo, nobre, seguro. Não contente com sua pequena vitória, gosta de insultar mais firmemente ainda, para dizer que ele é um cara perigoso, macho, e que ninguém é páreo para ele. O futebol – pode ser também o esporte de chutar cabeças – é o seu esporte preferido, pois sempre existe alguém ou algo que se possa insultar, totemizar, rebaixar.
Por essas e outras qualidades, Zé Pequeno gosta de mandar. E muito. O poder é sua menina dos olhos. É incrível como sempre os piores desejam estar no poder. Talvez seja pela ilusão de que alguém realmente mande e que alguém realmente obedeça. Mas, o que é o poder? Ele pode ferir, bloquear, dificultar: matar, só se também acreditamos nele. No entanto, Zé Pequeno jamais entendeu que alguém não queira poder, alguém que queira ser livre, que não queira medir a todo tempo a distância do cuspe. Todo aquele que diz não ao poderzinho que ele tanto gosta, deixa-o sem chão. Mas é bom tomar cuidado: quem faz isto pode levar uma facada pelas costas quando menos imagina.
Quantos Zés Pequenos você conhece?

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