4/29/2010

Semear (Homenagem a Alberto Caeiro)

Não sou semeador. Minhas sementes são minhas ilusões. A cada vez que abro um sulco cuidadoso na terra, deixo cair uma de cada vez, esperando seus frutos no devir. Volto para casa, espero pacientemente a cada dia, cuidando levemente de cada uma, para que não morra logo. Até a colheita, quase todas as sementes terão morrido, menos uma: a da realidade. E assim, no ano seguinte, tornarei a fazer minha solitária e paciente semeadura, como se fosse um apaixonado agricultor das montanhas, amando o mundo real em que vivo.

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