aguardava que medissem minha pressão.
*
as caixas do sistema de som da clínica transmitiam a seguinte mensagem: doutor marcelo, emergência, doutor marcelo, sua esposa aprenderá contorcionismo para poder chupar o grelo.
*
quis avisá-lo que os pássaros também pinçam as penas quando se viram para o lado em que a rainha morte dorme.
*
(box casal, queen size, de mármore.)
*
uma enfermeira fazia vitrine-viva à porta do consultório. meu nome inteiro, lembrei depois, reverberava naquela boca acrílica. havia chegado a hora: sentei-me no banco ao fundo da sala.
*
a braçadeira transformou-se em questão de segundos num corpete para moças anoréxicas. era o meu sangue, o meu pulsar intermitente, que a mulher fechara a vácuo. a velcro.
*
seus dedos longos masturbavam freneticamente a bomba de ar. tive medo de falir, sim, de morrer
*
por excesso de hemopornografia.
(Também publicado no blogue da autora.)
Quando você é vulgar: apenas negocia convenções, não domina os segredos, qualquer um pode dizer que árvore é o nome de uma cidade, que cidade é o nome de uma arma, que arma é um sentimento, que sentimento é o nome de um faraó. A língua epistolar é a conversa vulgar no desentendimento, mesmo que este ocasione encontros repentinos e imprevistos. É quando uma criança autista diz pra você: se o mundo gira, porque você não fica tonto?
7/26/2011
7/23/2011
São tantos os motivos pro amor não dar certo. A começar pela absoluta imprecisão sobre o que significa dar certo (a medida do sucesso é tão burocrática (e a burocracia interdita
o amor)). Vejo as ruas desta cidade perigosa, a noite caindo como um estranho dourado sobre o céu azul, um pastor evangélico e uma ex-atriz vociferando contra
o amor e como eles merecem o aplauso do cara solitário que leva sua caixa de cerveja pro apartamento onde vai passar o feriado de corpus christi tocando
punheta sobre o amor, indefeso amor. O cheiro de tiner que sentimos ao ler o jornal e como se dizia antigamente os caras só querem meter
a faca e como o amor é celebrado, as frias flores tristes na vitrine e o que significa ser feliz, usar a buceta da mulher amada pra estourar
pipocas enquanto a cerca elétrica mata pássaros e meninos e um anjo
caído queima um bilhete premiado no canal de esportes. E nem tudo é questão do lado de fora, ainda trazemos o veneno, veja como quando você respira se engasga todo com os sapos que vomitam em sua garganta e mesmo que não queira ou acredite deve prestar contas porque se a felicidade é exigida junto com o amor a Alegria e o amor são interditos e não há nada de mais ridículo do que um professor apaixonado se perguntando onde ela está onde ela está com esse monte de citações encobrindo o seu corpo sagrado
amor.
o amor)). Vejo as ruas desta cidade perigosa, a noite caindo como um estranho dourado sobre o céu azul, um pastor evangélico e uma ex-atriz vociferando contra
o amor e como eles merecem o aplauso do cara solitário que leva sua caixa de cerveja pro apartamento onde vai passar o feriado de corpus christi tocando
punheta sobre o amor, indefeso amor. O cheiro de tiner que sentimos ao ler o jornal e como se dizia antigamente os caras só querem meter
a faca e como o amor é celebrado, as frias flores tristes na vitrine e o que significa ser feliz, usar a buceta da mulher amada pra estourar
pipocas enquanto a cerca elétrica mata pássaros e meninos e um anjo
caído queima um bilhete premiado no canal de esportes. E nem tudo é questão do lado de fora, ainda trazemos o veneno, veja como quando você respira se engasga todo com os sapos que vomitam em sua garganta e mesmo que não queira ou acredite deve prestar contas porque se a felicidade é exigida junto com o amor a Alegria e o amor são interditos e não há nada de mais ridículo do que um professor apaixonado se perguntando onde ela está onde ela está com esse monte de citações encobrindo o seu corpo sagrado
amor.
7/17/2011
Do meu caderno de experimentações - 1
SEM TÍTULO
1
rótulas, gaiolas.
ejaculação de voos pelo cálcio, ave-osteoporose.
2
corpo é cerca cio adentro.
em cada felpa, em cada farpa,
um anjo errado irriga a sua cidade vascular.
3
como é alto o som na ponta escura
desta corda, incubadora-kamikaze,
4
como é fino
este cordão umbilical para virar cabo-de-guerra.
5
(todo amante
atira o filho da sacada que há nos fundos, no final,
do coração.
todo sol atrás é um ninho de fuligem e de fumo.)
6
corpo é um terço
muito curto, uma oração que aperta cristo,
7
(rótulas, gaiolas),
parapeito em que chacais
se inclinam para entrar na vida de cabeça.
8
caem os órgãos aos pedaços.
comunhão de porra, muco e baba.
9
morte vem lubrificada: fácil passar.
(Também publicado na Revista Germina.)
1
rótulas, gaiolas.
ejaculação de voos pelo cálcio, ave-osteoporose.
2
corpo é cerca cio adentro.
em cada felpa, em cada farpa,
um anjo errado irriga a sua cidade vascular.
3
como é alto o som na ponta escura
desta corda, incubadora-kamikaze,
4
como é fino
este cordão umbilical para virar cabo-de-guerra.
5
(todo amante
atira o filho da sacada que há nos fundos, no final,
do coração.
todo sol atrás é um ninho de fuligem e de fumo.)
6
corpo é um terço
muito curto, uma oração que aperta cristo,
7
(rótulas, gaiolas),
parapeito em que chacais
se inclinam para entrar na vida de cabeça.
8
caem os órgãos aos pedaços.
comunhão de porra, muco e baba.
9
morte vem lubrificada: fácil passar.
(Também publicado na Revista Germina.)
7/15/2011
Já que estamos falando de sonho...
1.
Quando sonhamos choramos por dentro
Espasmos de alma
Ou de corpo, é incerto.
As lágrimas não são mais
Leves – apesar de acordarmos
Com o rosto enxuto e os olhos
Em poucos segundos livres
Das larvas que comiam as pálpebras
Por dentro e claros para um dia
Turvo.
2.
Quem leva essas larvas
Pra dentro de si
É outro – elas te perseguem
Sementes plantadas em tua carne
Por algum lavrador: incógnito,
Elas roem a alma com palavras
Inventadas pelo absoluto
Alheio: quem seria o autor
Se todas elas são você
Em seus sonhos, nem delas
Nem teus – não são de sua lavra
Essas larvas que carcomem
Os olhos
Por dentro.
Quando sonhamos choramos por dentro
Espasmos de alma
Ou de corpo, é incerto.
As lágrimas não são mais
Leves – apesar de acordarmos
Com o rosto enxuto e os olhos
Em poucos segundos livres
Das larvas que comiam as pálpebras
Por dentro e claros para um dia
Turvo.
2.
Quem leva essas larvas
Pra dentro de si
É outro – elas te perseguem
Sementes plantadas em tua carne
Por algum lavrador: incógnito,
Elas roem a alma com palavras
Inventadas pelo absoluto
Alheio: quem seria o autor
Se todas elas são você
Em seus sonhos, nem delas
Nem teus – não são de sua lavra
Essas larvas que carcomem
Os olhos
Por dentro.
7/13/2011
Sonhos - I
(Marceli Andresa Becker)
afundava a colher no musse de maracujá — numa das rachaduras finíssimas que o creme inventa depois que gela — quando me lembrei do sonho da noite passada.
*
teria de inserir um pen-drive no pé. havia um corte específico à espera na região mais delicada da sola. era uma fresta, uma janela vasculante, enferrujada, de onde se conseguia enxergar o açude rubro em que me ensopo diariamente.
*
(a poucos metros de profundidade o tétano tomava conta de um peixe. quanto mais próxima a morte lhe parecia, caveira cáustica, mais a sua boca se abria, se abria, para cantar.)
*
fixei contra o peso do corpo aquela imensa verruga plástica. pendurada, assim, virava brinco em formato de tala (pense nas que são usadas para imobilizar braços).
a tarraxa era o meu osso.
(Também publicado no blogue da autora.)
afundava a colher no musse de maracujá — numa das rachaduras finíssimas que o creme inventa depois que gela — quando me lembrei do sonho da noite passada.
*
teria de inserir um pen-drive no pé. havia um corte específico à espera na região mais delicada da sola. era uma fresta, uma janela vasculante, enferrujada, de onde se conseguia enxergar o açude rubro em que me ensopo diariamente.
*
(a poucos metros de profundidade o tétano tomava conta de um peixe. quanto mais próxima a morte lhe parecia, caveira cáustica, mais a sua boca se abria, se abria, para cantar.)
*
fixei contra o peso do corpo aquela imensa verruga plástica. pendurada, assim, virava brinco em formato de tala (pense nas que são usadas para imobilizar braços).
a tarraxa era o meu osso.
(Também publicado no blogue da autora.)
7/10/2011
Conversa Fiada com o Capeta (vulgo Dr Penico Branco)
Com minha gravata preta de papelão, toda estampada com desenhos de copos mais a palavra cocktails em cores amareloverdes vivas e brilhantes, amarrada no pescoço por uma corda de nylon, abro as portas do Porão Inolvidável e... quem me espera de braços abertos? O Dr. Penico Branco e seu tridente.
- Welcome Mr Ego. Você por aqui?
6 6 6
Tem uma roda dentada soltando faísca no corredor de entrada do meu ap já to vendo a hora que a parede vai ser arrbentada e no meio da poeira uma mistura de Demônio e Doutor Penico Branco vai aparecer e me dizer: Eu estou aqui! E isso não é metáfora e nem alegoria é literal, tá rolando mesmo. A alma desse demonio e doutor penico branco é assim mesmo: uma roda dentada que fica girando em soltando faísca dentro da sua pança e por isso ele tem tanta raiva não importa de quem é de quem estiver na sua frente e isso também é verdade eu vi ontem de madrugada naquele documentário chamado O Exorcista.
6 6 6
Você está possuído pelo demônio quando se coloca na obrigação de replicar a ele, escolher um dos lados do dilema que o cramunhão te impõe. Não pro acaso: o demônio é dualista, diabolos: dois. Não por acaso, um de seus codinomes é MuitasVozes. Se você responde a uma simples pergunta demoníaca, você está no sal. Se você se justifica para o capeta, pior ainda. Um rolo compressor vai transformar sua alma em fita cassete onde estão gravados os Sete Nomes do Inferno. É como se diz por aí, com o demo não se argumenta, não se retruca, ele não vai mudar de idéia e se desdiabolizar, deixa ele pensar que está certo, meu caro!
6 6 6
Um fio de esperança: estilo mensagem demoníaca de Star Wars: no fundo há bondade nele. Esse é fio que o demo vai usar pra enrolar em teu pescoço e te esganar e como suas palavras vão sair sufocadas da sua boca! elE vai deixar entender que elE pode ser salvo, que elE tem suas virtudes, no fundo, lá bem fundo. É: no fundo. No fundo dos Infernos meu amigo!
- Welcome Mr Ego. Você por aqui?
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Tem uma roda dentada soltando faísca no corredor de entrada do meu ap já to vendo a hora que a parede vai ser arrbentada e no meio da poeira uma mistura de Demônio e Doutor Penico Branco vai aparecer e me dizer: Eu estou aqui! E isso não é metáfora e nem alegoria é literal, tá rolando mesmo. A alma desse demonio e doutor penico branco é assim mesmo: uma roda dentada que fica girando em soltando faísca dentro da sua pança e por isso ele tem tanta raiva não importa de quem é de quem estiver na sua frente e isso também é verdade eu vi ontem de madrugada naquele documentário chamado O Exorcista.
6 6 6
Você está possuído pelo demônio quando se coloca na obrigação de replicar a ele, escolher um dos lados do dilema que o cramunhão te impõe. Não pro acaso: o demônio é dualista, diabolos: dois. Não por acaso, um de seus codinomes é MuitasVozes. Se você responde a uma simples pergunta demoníaca, você está no sal. Se você se justifica para o capeta, pior ainda. Um rolo compressor vai transformar sua alma em fita cassete onde estão gravados os Sete Nomes do Inferno. É como se diz por aí, com o demo não se argumenta, não se retruca, ele não vai mudar de idéia e se desdiabolizar, deixa ele pensar que está certo, meu caro!
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Um fio de esperança: estilo mensagem demoníaca de Star Wars: no fundo há bondade nele. Esse é fio que o demo vai usar pra enrolar em teu pescoço e te esganar e como suas palavras vão sair sufocadas da sua boca! elE vai deixar entender que elE pode ser salvo, que elE tem suas virtudes, no fundo, lá bem fundo. É: no fundo. No fundo dos Infernos meu amigo!
7/04/2011
Ler é hipnotizar-se
Gosto de ler dizendo em voz baixa as palavras dos livros que amo. É como se alguém conversasse comigo ao mesmo tempo dizendo: não é com você. A suave presença silenciosa dela dormindo enquanto ando pela casa. Tudo o que resta da sabedoria, ou porque toda sabedoria é resto. Hoje antes de abrir o livro vi um pedaço do céu vermelho pela janela. Quando nos falamos, sua voz estava triste ou cansada, não sei bem. Mais cedo eu li um bilhete de alguém me cobrando sobre qual é minha mensagem. Isso eu li em silêncio. Não sou um ventríloquo de doutrinador. Agora leio essas palavras de um livro amado, cicatrizes em fundo brancoluminoso, enquanto penso em outras coisas. Sei que continuo lendo porque meus lábios se movem no ritmo das palavras enquanto divago, alguém deve estar recebendo-as por mim.
*
Escrevo loucamente para calar as conversinhas de mim comigo mesmo, alguém não sei quem fala comigo quando me desdobro interlocutores. As palavras, jogadas na tela ou no papel, são cicatrizes de um silêncio almejado.
*
Escrevo loucamente para calar as conversinhas de mim comigo mesmo, alguém não sei quem fala comigo quando me desdobro interlocutores. As palavras, jogadas na tela ou no papel, são cicatrizes de um silêncio almejado.
6/28/2011
Não se entra duas vezes no mesmo rios
Mais um da série Fazer o Texto Falar (as montagens,
seguindo a técnica dadaísta de recortar as palavras de um texto, sortear
e montar um novo texto). Procuro respeitar ao máximo o sorteio, porque
ele é mais criativo do que eu, só mudo uma ou outra
coisa na pontuação, na concordância. As palavras, portanto, não são
de minha autoria. É da missionária em questão.
"Sim meus queridos mulher-com-homem, deixo de amá-los:
eu quero a lei para demitir a liberdade.
Como a mãe, como o meu empregado, se um rapaz,
como a cidadã, se um rapaz vai pro diário
quero a lei pra mim namorar.
Orientação sexual: missionária católica.
Eu prego nosso direito ao pedófilo
contra mulher com mulher ops
pensando em bolinar a orientação sexual de deputada estadual.
Não sou o próximo,
posso vir trabalhar pensando em demiti-lo,
quero defender a orientação da constituição que acabe com elas
e a igualdade e o respeito à mulher preconceituosa
não vou permitir ninguém querer meus primos lésbicas
se eu contrato, discrimino.
Quero ser oficial, se pronunciar para demitir minhas colegas.
Os direitos são meus filhos, e como.
Vou poder dar testemunho e ser respeitada por minha família sexual,
eu agradeço a escolha de ser uma pessoa muito sexual em casa:
homem com mulher, e um motorista para finalizar:
Malafaia não vai cometer uma disputa em casa, meus queridos,
e ele começa... sexual!
Por exemplo, a república é lésbica e eu não,
e eu convido vocês a demiti-la,
eu represento a pedofilia vestida de mulher:
mostrar que a constitução da maneira hetero me acompanha
e só vou permitir a violência de babá.
Ninguém é o próximo, digamos, pras pessoas lésbicas.
Deus é minha babá para perpetuar o Gênesis.
Deixando claro: eu eventualmente respeito a pedofilia dos deputados
contra a população travesti,
todos são meus filhos, na minha casa
e Deus criou os deputados, com certeza:
uma porta pra fazer nada;
respeito a sociedade federativa dos meus inocentes
e tenho filhos com homem e tenho meu voto.
Eu queria ser a menina de um Brasil sexual.
Amor é outra idade, agora não:
eu sou a babá da lei da espécie.
Clamo e vou clamar, vou orar e não vou deixar: não posso ter sangue
de raça homossexual."
seguindo a técnica dadaísta de recortar as palavras de um texto, sortear
e montar um novo texto). Procuro respeitar ao máximo o sorteio, porque
ele é mais criativo do que eu, só mudo uma ou outra
coisa na pontuação, na concordância. As palavras, portanto, não são
de minha autoria. É da missionária em questão.
"Sim meus queridos mulher-com-homem, deixo de amá-los:
eu quero a lei para demitir a liberdade.
Como a mãe, como o meu empregado, se um rapaz,
como a cidadã, se um rapaz vai pro diário
quero a lei pra mim namorar.
Orientação sexual: missionária católica.
Eu prego nosso direito ao pedófilo
contra mulher com mulher ops
pensando em bolinar a orientação sexual de deputada estadual.
Não sou o próximo,
posso vir trabalhar pensando em demiti-lo,
quero defender a orientação da constituição que acabe com elas
e a igualdade e o respeito à mulher preconceituosa
não vou permitir ninguém querer meus primos lésbicas
se eu contrato, discrimino.
Quero ser oficial, se pronunciar para demitir minhas colegas.
Os direitos são meus filhos, e como.
Vou poder dar testemunho e ser respeitada por minha família sexual,
eu agradeço a escolha de ser uma pessoa muito sexual em casa:
homem com mulher, e um motorista para finalizar:
Malafaia não vai cometer uma disputa em casa, meus queridos,
e ele começa... sexual!
Por exemplo, a república é lésbica e eu não,
e eu convido vocês a demiti-la,
eu represento a pedofilia vestida de mulher:
mostrar que a constitução da maneira hetero me acompanha
e só vou permitir a violência de babá.
Ninguém é o próximo, digamos, pras pessoas lésbicas.
Deus é minha babá para perpetuar o Gênesis.
Deixando claro: eu eventualmente respeito a pedofilia dos deputados
contra a população travesti,
todos são meus filhos, na minha casa
e Deus criou os deputados, com certeza:
uma porta pra fazer nada;
respeito a sociedade federativa dos meus inocentes
e tenho filhos com homem e tenho meu voto.
Eu queria ser a menina de um Brasil sexual.
Amor é outra idade, agora não:
eu sou a babá da lei da espécie.
Clamo e vou clamar, vou orar e não vou deixar: não posso ter sangue
de raça homossexual."
6/24/2011
Só tem um jeito de responder às objeções de um rato:
Só tem um jeito de responder às objeções de um rato:
Falar a língua dos ratos.
Quando você se torna objeto
da curiosidade de um rato ele logo pensa que tem alguma coisa a ver
com sua vida – e tem – vampirismo é assunto de roedores. Você pensa meu idioma é outro mas veja como sua língua endurece seus dentes frontais se alongam e afiam seus olhos se tornam sonares sensíveis a
como não pode roer as próprias vísceras, todo rato se apaixona
por seus próprios excrementos. E como são lisas, quase esféricas as fezes de um rato – um rato odeia metáforas – cada coisa em seu lugar e tudo tem sua hora ¬– por isso um rato nunca vomita e como gosta de cagar regras consideradas autoevidentes por si mesmas
um rato é toda gente em geral e ninguém em particular (andam dizendo por aí, se diz à boca pequena – ah a boquinha pequena dos ratos por onde saem palavras pequenas e senti-
excrementos minúsculos – e quando um rato te olha com raiva pensando que assim vai causar medo em você – pelo menos incômodo – e causa – não há sentimento que um rato não manche com seus olhinhos-sonares e língua viscosa de tanto lamber merda – nunca deixe um rato lamber suas feridas mesmo que o rato seja você.
É com você mesmo que eu estou falando! Ah a língua cheia de parasitas dos ratos, a língua comum, a vigilância universal, os oito-olhos dos ratos, as regras e os códigos de conduta, os pressupostos e como tudo é preconcebido na vida do rato e como os ratos se apegam aos próprios excrementos e nada é por acaso na vida de um rato é assim que todo rato
faz cara de cu
& pensar que o rato é toda gente em geral e ninguém em particular, você com quem converso agora e eu quando respondo a você.
Falar a língua dos ratos.
Quando você se torna objeto
da curiosidade de um rato ele logo pensa que tem alguma coisa a ver
com sua vida – e tem – vampirismo é assunto de roedores. Você pensa meu idioma é outro mas veja como sua língua endurece seus dentes frontais se alongam e afiam seus olhos se tornam sonares sensíveis a
como não pode roer as próprias vísceras, todo rato se apaixona
por seus próprios excrementos. E como são lisas, quase esféricas as fezes de um rato – um rato odeia metáforas – cada coisa em seu lugar e tudo tem sua hora ¬– por isso um rato nunca vomita e como gosta de cagar regras consideradas autoevidentes por si mesmas
um rato é toda gente em geral e ninguém em particular (andam dizendo por aí, se diz à boca pequena – ah a boquinha pequena dos ratos por onde saem palavras pequenas e senti-
excrementos minúsculos – e quando um rato te olha com raiva pensando que assim vai causar medo em você – pelo menos incômodo – e causa – não há sentimento que um rato não manche com seus olhinhos-sonares e língua viscosa de tanto lamber merda – nunca deixe um rato lamber suas feridas mesmo que o rato seja você.
É com você mesmo que eu estou falando! Ah a língua cheia de parasitas dos ratos, a língua comum, a vigilância universal, os oito-olhos dos ratos, as regras e os códigos de conduta, os pressupostos e como tudo é preconcebido na vida do rato e como os ratos se apegam aos próprios excrementos e nada é por acaso na vida de um rato é assim que todo rato
faz cara de cu
& pensar que o rato é toda gente em geral e ninguém em particular, você com quem converso agora e eu quando respondo a você.
6/20/2011
De volta pra casa quando na verdade ninguém volta pra porra de lugar nenhum. A frase de cartão postal sobre o céu que é nosso mar é ilusão de maré vazante como se o fundo azul matasse a sede de alguém pelo simples fato de ser inverno. O Caminho produz nós de pescador, meus amigos estão enredados nos novelos das cinco dimensões tecedoras do mundo ilusório entrelaçadas pelas mãos dos três Venenos, eu também estou, nós estamos e quanto mais se luta pra se livrar mais fortes são os nós. O amor é um anzol enferrujado que vagueia como uma criança abandonada pelo céu. Não é por falta de amor que o Caminho é solitário, é que, sendo estilhaços de desejo cego, nos projetamos com nossos amores aonde eles nunca se encontram.
6/16/2011
Tanka para Lina
A vida mais frágil
Também deixa seus vestígios:
Vômito do gato
Seco no zabuton, mancha
De respiração ausente.
Comentário ao tanka
A casa vazia não
É o espaço indiferente
Na mente, no fogo
O gato caminha, por dentro
De si: um novelo de ar
Onde antes um coração
Batia.
Comentário ao tanka
A casa e seus objetos inertes, mesmo que o sofá velho vá se amoldando, como se um corpo o habitasse pelo avesso. O livro dos mortos no meio da pilha de papéis ao lado da televisão. Intimidade vazia e kitsch: o livro dos mortos sobre o dao de jing sobre os vagabundos iluminados sobre o rack comprado nas casas Bahia sobre o chão pintado de azul com manchas brancas como se fosse uma representação do céu com cheiro de desinfetante. A casa, porém, não é inerte. Se eu abrir um livro de Kerouac exatamente quando ele fala da morte do seu gato, momentos antes da paranóia: o gato que era para ele como seu irmão morto quando criança? E assim, uma camisa jogada sobre a cama parece um gato que dorme. Alguma coisa cai no chão e é como se um gato pulasse entre os móveis. Quando me deito no sofá é como se um gato viesse deitar ali comigo, na arte livre de nada fazer e pensar em nada, quase inertes. A casa é cheia de ecos. Os ecos são cheios de fantasmas. Os fantasmas são ausência presente, eco que desperta a mente do seu sonho de inércia. Por outro lado, as casas em que vivi, vazias de mim, onde entro às vezes quando sonho. Minha ausência do mundo: também estou predestinado à morte, a desabitar o mundo e deixar por aí traços, ecos anônimos que podem produzir um fio na espinha dos vivos.
Também deixa seus vestígios:
Vômito do gato
Seco no zabuton, mancha
De respiração ausente.
Comentário ao tanka
A casa vazia não
É o espaço indiferente
Na mente, no fogo
O gato caminha, por dentro
De si: um novelo de ar
Onde antes um coração
Batia.
Comentário ao tanka
A casa e seus objetos inertes, mesmo que o sofá velho vá se amoldando, como se um corpo o habitasse pelo avesso. O livro dos mortos no meio da pilha de papéis ao lado da televisão. Intimidade vazia e kitsch: o livro dos mortos sobre o dao de jing sobre os vagabundos iluminados sobre o rack comprado nas casas Bahia sobre o chão pintado de azul com manchas brancas como se fosse uma representação do céu com cheiro de desinfetante. A casa, porém, não é inerte. Se eu abrir um livro de Kerouac exatamente quando ele fala da morte do seu gato, momentos antes da paranóia: o gato que era para ele como seu irmão morto quando criança? E assim, uma camisa jogada sobre a cama parece um gato que dorme. Alguma coisa cai no chão e é como se um gato pulasse entre os móveis. Quando me deito no sofá é como se um gato viesse deitar ali comigo, na arte livre de nada fazer e pensar em nada, quase inertes. A casa é cheia de ecos. Os ecos são cheios de fantasmas. Os fantasmas são ausência presente, eco que desperta a mente do seu sonho de inércia. Por outro lado, as casas em que vivi, vazias de mim, onde entro às vezes quando sonho. Minha ausência do mundo: também estou predestinado à morte, a desabitar o mundo e deixar por aí traços, ecos anônimos que podem produzir um fio na espinha dos vivos.
6/12/2011
Mote (inapropriado) Glosa (impertinente)
Inapetente
de vida, o poder se come
a si mesmo. Fundo
vermelho nos olhos brancos
de ódio. Vazio
existencial no estômago
o poder embolora
a própria língua
impertinente.
* * *
Isolamento,
alma de arame
farpado, sangue
na ferrugem da alma
o poder persevera
na insônia, oito-olhos
abertos na consciência
em nome de quem
inapropriado.
de vida, o poder se come
a si mesmo. Fundo
vermelho nos olhos brancos
de ódio. Vazio
existencial no estômago
o poder embolora
a própria língua
impertinente.
* * *
Isolamento,
alma de arame
farpado, sangue
na ferrugem da alma
o poder persevera
na insônia, oito-olhos
abertos na consciência
em nome de quem
inapropriado.
6/07/2011
Minha namorada inventou uma tesoura de abrir veias, palavras escorrendo como sangria desatada, o fluxo, porque sangue parado é veneno, veneno de palavras que vão cavando fundo seus lugares, suas cicatrizes-sentimentos, porque alma é corpo, corpo de sangue e palavras, na alma calada por espinhospalavras o corpo se fecha, um labirinto de arame farpado fechado sobre si mesmo, cuja saída, ilusória, é o centro, o centro onde estão adormecidasdespertas as palavras sujas de sanguebílis amarela, sanguebílis negra, a terra infértil que é um lodaçal, um paradoxo de morte e vida, vida cega tal a morte, persistente vida, palavras são organismos que se arrastam, mastigam a alma por dentro, palavras têm fome, minha namorada telepata inventou instrumentos cirúrgicos estranhos, ela anda com flores agarradas no coração, minha namorada conhece o sofrimento com a precisão de quem também já viu o lodo de perto, o lodo da vidamorte, as palavras sangram, caem no chão, o destino delas não me interessa, minha namorada anda com preciosos instrumentos de observação, lupas pra vermos em escala reduzida e intensa as florações das luzes de Brasília, quando a luz bate no olho e das pálpebras brotam pétalas translúcidas-vermelhas e o silêncio multiplica encantos.
6/03/2011
Impressões
1. A cidade desabitada
espectral – mas a cidade sem
fantasmas.
2. O asfalto molhado leve como um espelho. Faróis refletidos, estrelas: poucas.
3. Fogos de artifício e felicidade ensaiada. Mas não é disso que se trata.
4. Nas minhas veias não há sangue: suas lágrimas. Estamos envolvidos numa teia de silêncio: fora da cidade, por dentro: a cidade lá fora nos cobre como o véu de Maya. Você veste sua nudez com minha camisa: refúgio; quatro flautas encantando os cinco sentidos; luz suave nas 10 direções; canto-caminho entre as linhas baixas do desespero e a sacralização instantânea do corpo. Orgulho singelo de anjos perdidos no caos encoberto pelas tramas do calendário. Os movimentos do mundo e seus barulhos se tornam uma forma musical de silêncio.
5. Os anos se dividiram, o calendário grita que uma coisa nova se inicia. Nós não nos damos conta. Divisão de almas não se mensura.
espectral – mas a cidade sem
fantasmas.
2. O asfalto molhado leve como um espelho. Faróis refletidos, estrelas: poucas.
3. Fogos de artifício e felicidade ensaiada. Mas não é disso que se trata.
4. Nas minhas veias não há sangue: suas lágrimas. Estamos envolvidos numa teia de silêncio: fora da cidade, por dentro: a cidade lá fora nos cobre como o véu de Maya. Você veste sua nudez com minha camisa: refúgio; quatro flautas encantando os cinco sentidos; luz suave nas 10 direções; canto-caminho entre as linhas baixas do desespero e a sacralização instantânea do corpo. Orgulho singelo de anjos perdidos no caos encoberto pelas tramas do calendário. Os movimentos do mundo e seus barulhos se tornam uma forma musical de silêncio.
5. Os anos se dividiram, o calendário grita que uma coisa nova se inicia. Nós não nos damos conta. Divisão de almas não se mensura.
5/30/2011
Basilisco
hoje me olhaste fundamente como se tuas pupilas fossem dentadas como se de teus olhos saísse uma língua fina afiada e peçonhenta que se enrolasse no pescoço de teus inimigos,asfixiando-os.as pessoas te temem por causa das maldades que podes fazer.o fundo de teus olhos era de um brancovermelho sanguíneo
teu globo ocular é branco por fora mas o cristalino é uma lente vermelha que compraste numa de tuas passagens pelo Inferno, daí a terrível impressão de um vermelho profundo nascendo do ódio e mordendo meu calcanhar como se um cachorro sarnento saísse em meu encalço quando saí daquela sala. mas, presta atenção, ser nefasto de nervos virados pro avesso da pele, ser sensitivo como um demônio ensinado a comer carne crua com fio elétrico desencapado por dentro, ser amigo dos mortos-vivos com cara de jacaré comedores de excremento, ser forjado nas fábulas sobre as sereias como gralhas carcomidas cantoras do repertório de Seu Jorge e Ana Carolina, presta atenção. Quando alguém diz que anjos não existem, os anjos são afirmados na linguagem que os nega. Pensas que eu te encararia assim, desprotegido? Se ontem mesmo li comentários sobre o mito do Basilisco? Faço aos anjos renegados minha oração e te devolvo estas palavras como um espelho aos teus olhos de ódio vítreo.
sou o príncipe das trevas, ele dizia, o cabelo lambido a la Vincent Price, o bigode como um fino trapézio, as sobrancelhas arqueadas, o olhar oblíquo.ele falava num contrato que teríamos assinado, anos antes, anos arcaicos, quando o lobo era o homem do lobo, você precisa justificar sua existência nesse mundo, tem muita coisa a ser explicada nessa história, o eterno retorno é um círculo vicioso, a nossa missão é expedir mandatos de prisão contra fumantes passivos, redigir moções de repúdio contra os palavrões pronunciados por meninos de rua, defender que o melhor local para a polícia espancar seus marginais é na porta de entrada da Emergência Hospitalar. Ele era um tipo esquisito de Doutor Fritz porque ele encarnava em mestres pra fazer lobotomia em crianças, partindo do b-a-bá até o quinto dos infernos: os conceitos são um tipo esquisito de macarrão instantâneo que enfio goela abaixo dos incautos na hora do almoço. Todo bode é expiatório e não sei nem mais o que estou escrevendo aqui.
teu globo ocular é branco por fora mas o cristalino é uma lente vermelha que compraste numa de tuas passagens pelo Inferno, daí a terrível impressão de um vermelho profundo nascendo do ódio e mordendo meu calcanhar como se um cachorro sarnento saísse em meu encalço quando saí daquela sala. mas, presta atenção, ser nefasto de nervos virados pro avesso da pele, ser sensitivo como um demônio ensinado a comer carne crua com fio elétrico desencapado por dentro, ser amigo dos mortos-vivos com cara de jacaré comedores de excremento, ser forjado nas fábulas sobre as sereias como gralhas carcomidas cantoras do repertório de Seu Jorge e Ana Carolina, presta atenção. Quando alguém diz que anjos não existem, os anjos são afirmados na linguagem que os nega. Pensas que eu te encararia assim, desprotegido? Se ontem mesmo li comentários sobre o mito do Basilisco? Faço aos anjos renegados minha oração e te devolvo estas palavras como um espelho aos teus olhos de ódio vítreo.
sou o príncipe das trevas, ele dizia, o cabelo lambido a la Vincent Price, o bigode como um fino trapézio, as sobrancelhas arqueadas, o olhar oblíquo.ele falava num contrato que teríamos assinado, anos antes, anos arcaicos, quando o lobo era o homem do lobo, você precisa justificar sua existência nesse mundo, tem muita coisa a ser explicada nessa história, o eterno retorno é um círculo vicioso, a nossa missão é expedir mandatos de prisão contra fumantes passivos, redigir moções de repúdio contra os palavrões pronunciados por meninos de rua, defender que o melhor local para a polícia espancar seus marginais é na porta de entrada da Emergência Hospitalar. Ele era um tipo esquisito de Doutor Fritz porque ele encarnava em mestres pra fazer lobotomia em crianças, partindo do b-a-bá até o quinto dos infernos: os conceitos são um tipo esquisito de macarrão instantâneo que enfio goela abaixo dos incautos na hora do almoço. Todo bode é expiatório e não sei nem mais o que estou escrevendo aqui.
5/24/2011
OitO-OlhOs rides again
1.
Como é bom cagar em alheias
Cabeças e depois ainda por cima usar tua alma
Como papel higiênico pra limpar minha bunda
As lombrigas que saem do meu cu
Em borbotão como uma estranha macarronada
Feita por um nona psicodélica que habita minhas entranhas
Fertilizam em teu sangue e brotam flores
Dentadas cujo pólen é de escarro, como é bom
Nada acontecer sem passar por meu crivo
E tudo
Não acontecerá porque sob meu crivo nada se passa de qualquer maneira
Não vai dar em nada mesmo e quase toda a história
Não aconteceu, deseventos que desentranho do meu ventre
& ainda por cima sou citação do Eclesiaste
& por cima da carne seca Humildemente retiro
O que eu disse.
2.
em como aquela criança muda e telepata é complacente com Michael Myers. é claro: Michael Myers e Jason Vorhees dão bolsadas na cabeça da funcionária do check-in. Querem linhas de metrô somente de ida e nunca de volta. Orca, a Baleia Assassina e o Tubarão ficam no saguão do hotel se lamentando pelos infectos que invadiram o bairro.
vejam, prestem atenção como Jason Vorhees enche a boca quando usa a palavra Democracia!
há 22 minutos • CurtirCurtir (desfazer)
o método de Michael Myers é mais indireto: ele sempre diz, não sou que tenho nada contra você, veja bem, é que alguém pode induzir a muda telepata a ficar com medo de você, e se ela ficar com medo de você, bem, aí você vai ter que passar no fio da minha espada (mas todo mundo sabe que é ele mesmo quem induz a muda telepata, ele o Lavoisier Filhodaputa)
há 14 minutos • CurtirCurtir (desfazer)
é como diz o grande William Blake: "aquele que sofreu tuas imposições te conhece"
há 12 minutos • CurtirCurtir (desfazer)
e, pra encerrar, em como tava vendo ontem uma brincadeira sobre essa mania americana de terminar a frase com you know? sempre uma interrogação, ninguem tem coragem de afirmar nada, mas, cá entre nós, Jason Vorhees também sempre termina suas frases com um: tá entendendo?
há 4 minutos • CurtirCurtir (desfazer)
é, enfim, a substituição do Verossímil pelo Veromíssil, uma nova forma de "suspender a descrença" e por aí vai
há ± um minuto • Curtir
3
Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso
O assunto é que você é um otário finório principiante e não entende os meus desígnios vou encher a sua boca de estômago com meu vômito tá pensando que meu vômito é pouca merda peraí retiro o que disse retiro o que você ouviu com minha língua pontuda e áspera vou tirar palavra por palavra nem que tenha que usar os dentes calma não é perda de tempo até parece que você vai o quê vai morrer oxalá o tempo fosse outro mas vamos começar de novo qual foi mesmo o início da conversa você sabe uma palavra puxa outra palavra outra palavra outra palavra outra palavra a vida é assim outra mais outra mais outra peraí né não é por aí quer dizer não é por aí o papo é o seguinte:
Oassunévoumotiofinópripiantenãotenosmesígniosenchasubotômagomeômitopendomevopamaeraítidisretirquevoouviumilínpontudaesperatipalaporavratesardentescalnãopertempotécecêvoêvorrerxalátemssetromosmeçarovolfesmíciodersacêsabemalavraxatralavratra vratravratravravidésimtraoutratraraíãoaíerierãoéraíoppsgnt:
Como é bom cagar em alheias
Cabeças e depois ainda por cima usar tua alma
Como papel higiênico pra limpar minha bunda
As lombrigas que saem do meu cu
Em borbotão como uma estranha macarronada
Feita por um nona psicodélica que habita minhas entranhas
Fertilizam em teu sangue e brotam flores
Dentadas cujo pólen é de escarro, como é bom
Nada acontecer sem passar por meu crivo
E tudo
Não acontecerá porque sob meu crivo nada se passa de qualquer maneira
Não vai dar em nada mesmo e quase toda a história
Não aconteceu, deseventos que desentranho do meu ventre
& ainda por cima sou citação do Eclesiaste
& por cima da carne seca Humildemente retiro
O que eu disse.
2.
em como aquela criança muda e telepata é complacente com Michael Myers. é claro: Michael Myers e Jason Vorhees dão bolsadas na cabeça da funcionária do check-in. Querem linhas de metrô somente de ida e nunca de volta. Orca, a Baleia Assassina e o Tubarão ficam no saguão do hotel se lamentando pelos infectos que invadiram o bairro.
vejam, prestem atenção como Jason Vorhees enche a boca quando usa a palavra Democracia!
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o método de Michael Myers é mais indireto: ele sempre diz, não sou que tenho nada contra você, veja bem, é que alguém pode induzir a muda telepata a ficar com medo de você, e se ela ficar com medo de você, bem, aí você vai ter que passar no fio da minha espada (mas todo mundo sabe que é ele mesmo quem induz a muda telepata, ele o Lavoisier Filhodaputa)
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é como diz o grande William Blake: "aquele que sofreu tuas imposições te conhece"
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e, pra encerrar, em como tava vendo ontem uma brincadeira sobre essa mania americana de terminar a frase com you know? sempre uma interrogação, ninguem tem coragem de afirmar nada, mas, cá entre nós, Jason Vorhees também sempre termina suas frases com um: tá entendendo?
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é, enfim, a substituição do Verossímil pelo Veromíssil, uma nova forma de "suspender a descrença" e por aí vai
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Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso Né não fazer o quê não é disso que eu to falando que você ta ouvindo peraí né nada disso pra que a pressa vamos voltar de novo votar vomitar revoltar volutear votar de novo revotar em baixa voltagem quem foi que disse peraí não é nada disso
O assunto é que você é um otário finório principiante e não entende os meus desígnios vou encher a sua boca de estômago com meu vômito tá pensando que meu vômito é pouca merda peraí retiro o que disse retiro o que você ouviu com minha língua pontuda e áspera vou tirar palavra por palavra nem que tenha que usar os dentes calma não é perda de tempo até parece que você vai o quê vai morrer oxalá o tempo fosse outro mas vamos começar de novo qual foi mesmo o início da conversa você sabe uma palavra puxa outra palavra outra palavra outra palavra outra palavra a vida é assim outra mais outra mais outra peraí né não é por aí quer dizer não é por aí o papo é o seguinte:
Oassunévoumotiofinópripiantenãotenosmesígniosenchasubotômagomeômitopendomevopamaeraítidisretirquevoouviumilínpontudaesperatipalaporavratesardentescalnãopertempotécecêvoêvorrerxalátemssetromosmeçarovolfesmíciodersacêsabemalavraxatralavratra vratravratravravidésimtraoutratraraíãoaíerierãoéraíoppsgnt:
5/15/2011

Pés, flores, mãos
Sombras condensadas
Toda a agressividade da luz
Cortante
Aplacada por um ninho negro
Traçado por mãos que desenham
Como quem adormece
As coisas brotam da terra
Luzterra
Sonho de ser aveflor
Voar como quem enraíza
No papel, sangue é seiva, relva
Tapete suave calor
Onde a mente e o coração
Repousam.
Imagem: http://www.flickr.com/photos/barbara_mangueira/
5/10/2011
Sonho é vida
Yo sueño que estoy aqui destas prisiones cargado, y soñé que en otro estado más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí. ¿Qué es la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño: que toda la vida es sueño, y los sueños, sueños son. Calderón de La Barca.
1. Mecânica celestial
Um amigo me dá um presente. Abro a caixa: é um relógio. Num estouro, os ponteiros saem voando pela casa enquanto se multiplicam como agulhas girando em alta velocidade no ar, tomando o espaço de assalto.
2. Meu encontro com os Cabeça-de-Abelha
Estou numa festa. A polícia entra e me leva preso, junto com dois meninos de rua. Vamos à delegacia, o policial não sabe dizer o motivo de minha prisão. Sou liberado e caminho por uma cidade parecida com São Paulo. A luz acaba, as ruas ficam muito escuras. Subo uma ladeira no breu. Vejo um vulto, um sujeito de capa preta e chapéu preto de caubói, empunhando uma espingarda. Ele me diz que é o líder dos Cabeça-de-Abelha. Noto que estou num cemitério, muito simples, cruzes de madeira sobre a terra, nada de lápides. Outro Cabeça-de-Abelha aparece e aponta a arma pra mim. Mas o líder resolve não me matar. Continuo com eles em minha caminhada, à procura de um jeito de voltar pra casa. O problema é que eles estão em guerra com outra facção. Chegamos numa casa, relativamente grande, com mulheres e crianças, não somente os soldados Cabeça-de-Abelha. Algumas garotas andam armadas e brincam de apontá-las pra mim. É uma brincadeira tensa, sinto que em algum momento alguém pode decidir me matar. De todo modo, sou um estranho aqui. Os inimigos chegam, estamos cercados. A casa fica numa encosta, a porta da frente no alto e a dos fundos na parte mais baixa, mas os dois lados estão em plena batalha. Não temos como sair. Mesmo assim, resolvo arriscar e fugir pela lateral da casa. Três meninos decidem vir comigo. Pulamos o muro e corremos. Por milagre, chegamos a uma praça desolada, mas ao menos com um ponto de táxi. O taxista me avisa que estamos muito longe da cidade. Não sei como posso ter andado tanto. Entro no táxi sozinho, mas, a certa altura, três meninos de rua aparecem no táxi. Eles carregam revólveres, facões e dinamites. De novo, a velha brincadeira de fazer de conta que vão me matar. Talvez, por eles gostarem do líder dos Cabeça-de-Abelha que foi com a minha cara eles decidem me poupar. Mas não o taxista: repentinamente, noto que ele tem um facão enfiado no pescoço. O carro está parado quando os três meninos também estão mortos. Eles tinham tomado algum tipo de veneno antes de chegar. Não sei explicar o motivo desse suicídio realizado de maneira tão insólita. Saio do carro, estou vivo, não tenho nada a dizer nem como avaliar o sentido disso tudo. Chego a um posto de gasolina, desses de beira-estrada, grandes e decadentes. O farol de um caminhão bate direto em meus olhos, é a luz de uma manhã fria, azul claro como um manto, uma elegia à morte que sanguessuga nossas almas inclusive quando sonhamos.
¿Qué es la vida? Un frenesí. ¿Qué es la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño: que toda la vida es sueño, y los sueños, sueños son. Calderón de La Barca.
1. Mecânica celestial
Um amigo me dá um presente. Abro a caixa: é um relógio. Num estouro, os ponteiros saem voando pela casa enquanto se multiplicam como agulhas girando em alta velocidade no ar, tomando o espaço de assalto.
2. Meu encontro com os Cabeça-de-Abelha
Estou numa festa. A polícia entra e me leva preso, junto com dois meninos de rua. Vamos à delegacia, o policial não sabe dizer o motivo de minha prisão. Sou liberado e caminho por uma cidade parecida com São Paulo. A luz acaba, as ruas ficam muito escuras. Subo uma ladeira no breu. Vejo um vulto, um sujeito de capa preta e chapéu preto de caubói, empunhando uma espingarda. Ele me diz que é o líder dos Cabeça-de-Abelha. Noto que estou num cemitério, muito simples, cruzes de madeira sobre a terra, nada de lápides. Outro Cabeça-de-Abelha aparece e aponta a arma pra mim. Mas o líder resolve não me matar. Continuo com eles em minha caminhada, à procura de um jeito de voltar pra casa. O problema é que eles estão em guerra com outra facção. Chegamos numa casa, relativamente grande, com mulheres e crianças, não somente os soldados Cabeça-de-Abelha. Algumas garotas andam armadas e brincam de apontá-las pra mim. É uma brincadeira tensa, sinto que em algum momento alguém pode decidir me matar. De todo modo, sou um estranho aqui. Os inimigos chegam, estamos cercados. A casa fica numa encosta, a porta da frente no alto e a dos fundos na parte mais baixa, mas os dois lados estão em plena batalha. Não temos como sair. Mesmo assim, resolvo arriscar e fugir pela lateral da casa. Três meninos decidem vir comigo. Pulamos o muro e corremos. Por milagre, chegamos a uma praça desolada, mas ao menos com um ponto de táxi. O taxista me avisa que estamos muito longe da cidade. Não sei como posso ter andado tanto. Entro no táxi sozinho, mas, a certa altura, três meninos de rua aparecem no táxi. Eles carregam revólveres, facões e dinamites. De novo, a velha brincadeira de fazer de conta que vão me matar. Talvez, por eles gostarem do líder dos Cabeça-de-Abelha que foi com a minha cara eles decidem me poupar. Mas não o taxista: repentinamente, noto que ele tem um facão enfiado no pescoço. O carro está parado quando os três meninos também estão mortos. Eles tinham tomado algum tipo de veneno antes de chegar. Não sei explicar o motivo desse suicídio realizado de maneira tão insólita. Saio do carro, estou vivo, não tenho nada a dizer nem como avaliar o sentido disso tudo. Chego a um posto de gasolina, desses de beira-estrada, grandes e decadentes. O farol de um caminhão bate direto em meus olhos, é a luz de uma manhã fria, azul claro como um manto, uma elegia à morte que sanguessuga nossas almas inclusive quando sonhamos.
5/06/2011
Quero que TU meu Deus
Quero que TU meu Deus
me dizimes.
Que me arranques
como um ramo desta vida
e não me jogues
em nenhuma outra
Quero que TU meu Deus
não me circules
em nenhuma água
e que de mim não haja
nenhum rasto.
Que não me apóie
em nenhuma lágrima
caída pela minha fraqueza
Não há nenhum óbice
para permanecer neste lodaçal
de almas pequenas
(confirmado no teu olho
que vitima tua ira santa
e desencanto)
Não quero nenhuma memória
nenhum rito
Quero que TU, meu Deus
me liquides.
Pois nenhuma guerra me reclamou
nenhum poema à margem da DOR
e do tumulto impossível do existir
(Só TU que nunca foi meu Deus.
Rajado no fogo
feito um tigre despedaçando)
Ilha, 06 Maio 2011
5/02/2011
Americanos elegíacos sentimentos (aproximação a um poema de Gregory Corso* em memória de Kerouac) partes 3 e 4
Gregory Corso
Elegiac feelings american
Americanos elegíacos sentimentos
Tomando muita liberdade face ao literal pra dar conta dos jogos de palavras e sintaxe
Notas: beat: apanhar da vida. Bitter: amargo.
Foundling fathers.
How: howl.
À querida memória de Jack Kerouac
1.
Como são inseparáveis você e a América que você viu apesar de nunca estar ali pra ser vista; você e América, como a árvore e o chão, são um e o mesmo; mesmo que como uma palmeira no Oregon... morta assim que floresce, como um urso polar em acrobacias no Miami –
Como assim aquilo que você foi ou esperava ser, e a América não, a América que você viu e ainda assim não podia ver
Tal como e ainda assim incomum no chão de onde você brotou; você de pé sobre a América como uma árvore sem raiz e sem rumo; pra o esquilo não havia divórcio entre o pulo do chão e a escalada na árvore... até que ele viu nenhuma semente cair e soube que não havia casamento entre os dois; como é infrutífera, como é inútil, a triste desnaturada natureza; não espanta que o pôr-do-sol tenha deixado de ser deleite... já que de que valem terra e sol quando a árvore entre eles é inválida... a inseparável trindade, uma vez sem serventia, torna-se uma fria infrutífera insignificante mortementira triplamente marcada em sua horrível amputação... Oh açougueiro a costeleta não é o porco – O Americano alienígena na América é amargo desmembramento; e mesmo sua elegia, querido Jack, devia ter uma árvore retalhada, prensada até a celulose, que a conterá – não espanta que boas novas não possam ser escritas sobre essas más novas –
Como é alienígena a terra natal, como a árvore morre quando o chão é estrangeiro, frio, não livre – O vento não sabe soprar a semente da Sequóia em que ninguém nunca esteve ; nenhuma palmeira é soprada ao Oregon, que sábio o vento – Sábio tanto quanto os mensageiros do profeta... sabendo da fertilidade do tal lugar em que a dita profecia foi anunciada e poderia ser respondida – o semeador de trigo não semeia nos campos de cana; já que o semeador de voz também semeia o ouvido. E fosse o pequeno Liechtenstein ao invés de América, a designação... certamente então seríamos a língua de Liechtenstein –
Não foi tanto a gente descobrindo a América quanto a América descobrindo sua voz em nós; muitos discursavam pra América como se a América lhes pertencesse por usucapião, crédito, direito e lei juridicamente adquirida por meio de golpes materialísticos de prosperidade e herança; como o cidadão de uma sociedade acredita ser o dono da sociedade, e o que ele faz de si mesmo ele faz da América e assim quando ele fala de si ele fala da América e dessa forma outro ele é eleito pra representar o que ele representa... um ego infernal de uma América
Assim quantos patriotas discursam amorosamente sobre si mesmos quando discursam sobre a América, e não apreciá-los é não apreciar a América e vice-versa
A língua da verdade é a verdadeira língua da América, e não poderia ser encontrada no Daily Heralds já que a voz dali é uma voz controlada, amaldiçoadamente opinativa, e dirigida ao crédulo
Não espanta que nós nos tenhamos descoberto desenraizados, porque nós nos tornamos as próprias raízes, - a mentira jamais enraíza e dali cresce sob a verdade do sol e alcança o fruto da verdade
Taí Jack, eu não posso fazer o seu réquiem sem fazer o réquiem da América, e este é um réquiem que não me cabe antecipar, porque enquanto eu for vivo não existirão réquiens pra mim
Porque se a árvore morre a árvore nasce novamente, só depois que a árvore morrer pra sempre e nunca outra árvore nova nascer... então o solo morrerá também
Seus os olhos que viram, o coração que sentiu, a voz que cantou e lamentou; e enquanto a América viver, mesmo que seu corpo tenha morrido meu velho Kerouac, você viverá... porque de fato o nosso é o tempo da profecia sem a morte como conseqüência... porque de fato depois do nosso veio o tempo dos assassinos, e quem duvidará de suas últimas palavras “depois de mim... o Dilúvio”
Ah, mas se fosse questão de estações eu não duvidaria do retorno da árvore, se não pra que o solo que nos sustenta sendo ele incapaz de sustentar – é, a árvore vai cair quando for esta a estação, pois assim é o hábito da natureza, é assim que o solo, a queda, a lenta mas certa decomposição, até que a própria árvore se torna o próprio solo que a sustentou; depois que caia o solo... ah, e depois o quê? Isso não pode ser respondido na natureza, pois não haverá outro solo onde cair e repousar, nem queda, nem ascensão, nada crescerá, sem direção, e no que, por que, se a composição chegar à sua própria decomposição?
Nós viemos pra anunciar o espírito humano em nome da verdade e da beleza; agora esse mesmo espírito clama no lugar da natureza pelo horrível desequilíbrio de todas as coisas natural... esquiva natureza capturada! Como um pássaro na mão, aproveitado e remanufaturado nos moldes involutivos da técnica e do experimento
Pois é apesar de a árvore ter enraizado no solo o solo é revirado e nesse vômito forçado o terrível miasma das árvores fossilizadas da morte os restos milenares e a graxa de dinossauros mortos a eras são expelidos e espalhados trazidos novamente à superfície e avançam no céu e nós o respiramos em acúmulos de poluição
Que esperança pra América incorporada em ti, Amigo, quando o mesmo álcool que desencarnou o seu irmão pele-vermelha da sua América, desencarnou você – uma armação pra agarrar a terra deles, nós sabemos – ainda assim que armação pra agarrar a inagarrável terra do espírito de alguém? A Tua América visionária era impossível de ser visualizada – porque quando as sombras das janelas do espírito caem, aquilo que foi visto ainda permanece... os olhos do espírito ainda vêem
É, a América incorporada em ti, tão definitivamente enraizada assim, é a incorporação viva de toda a humanidade, jovem e livre
E sempre que a árvore redentora floresça, mesmo que não plenamente, mesmo que não com certeza, lá estarão os entrevados, velhos e tristes, que gostarão de fazê-la cair: eles cortam, retalham, atiram pra longe... que nada jovem e livre se sustente de qualquer maneira
Na verdade essas árvores eram como a juventude é... fossem tais árvores feitas pra cair, e não mais nascer pra crescer novamente, então o chão deveria cair, e o dilúvio chegar e inundar tudo, purificar tudo e todos pra sempre, como um vento vindo de lugar nenhum pra lugar algum
2.
“Como Clark Gable segura firme tuas mãos...” (conversa no México em 1956) – Mãos tão fortes e ensolaradas de México, ocupadas com a América, mãos que eu sabia iriam fazê-lo, iriam tomar conta e acariciar
Você estava sempre falando da América, e América sempre foi história pra mim, General Wolfe deitado no chão morrendo em sua farda vermelha brilhante amparado por alguém de farda azul pendurado na parede da sala de aula ao lado do pai da nação cujo peito estava sombreado na pintura... sim, a nossa foi uma História Americana, história com futuro, é claro;
Como um Whitman nós estávamos buscando, esperando por uma América, aquela América sempre uma América ainda em vir-a-ser, nunca uma América para ser cantada ou uma América para ouvir nosso canto, mas sempre uma América pela qual clamar cheio de esperança
Tudo o que nós tivemos foi a América passada, e nós mesmos, a América agora, e ah como nós guardávamos aquele passado! E Ah a grande mentira daquela sala de aula! A Guerra da Revolução... tudo o que nós tínhamos era Washington, Revere, Henry, Hamilton, Jefferson e Franklin... nunca Nat Bacon, Sam Adams, Paine... e a liberdade? Não foi pra conquistar a liberdade aquela guerra, liberdade eles tinham, eles eram os homens mais livres do seu tempo; foi para não perder aquela liberdade que eles pegaram em armas – ainda assim, e ainda assim, a estação em que nós florescemos para a cena era escassamente livre; há liberdade hoje? Não pra escutar o que o índio, o negro, o jovem têm a dizer
E no começo quando liberdade era tudo o que alguém podia escutar; não foi bem assim pras pobres bruxas de Salem; e aquele imenso entusiasta de liberdade, Franklin, pagou bondosamente100 dólares por cada escalpo de criança selvagem nascida livre; Pitt Jr conseguiu boa parte da cidade do amor fraterno por meio do ultraje ofensivo ao abandonar o coração confiante de seu irmão pele-vermelha com tortuosa trairagem; e como ignorava a liberdade o sábio Jefferson proprietário de negros que perderam a liberdade; pra os declaradores da Independência declará-la apenas para uma parte do todo era declarar a guerra civil
Justiça é tudo o que um homem da liberdade precisa esperar por; e justiça foi uma coisa extremamente importante pelos pais afundada; um diadema pra vida Americana sobre o qual podiam se estabelecer os gêmeos Deus e propriedade privada;
Como o pobre Americano nativo sofreu pela estabelecimento forçado daqueles dois pilares da liberdade!
Da Justiça brota um Deus inconstante; de Deus brota uma justiça ditada
“Os caminhos de Deus levam à liberdade” disse São Paulo... ainda assim é o homem que precisa da liberdade, e não Deus, pra ser capaz de seguir os caminhos de Deus
O justo direito do indivíduo à propriedade de seu pedaço de chão não se justifica para aqueles a quem a terra pertencia coletivamente em primeiro lugar;
Aquele que vende a terra da humanidade a um único homem vende a Ponte do Brooklyn,
A segunda maior causa de mortalidade humana... é a aquisição de propriedade
Nenhuma vida Americana vale um hectare da América... se Proibido Entrar ou cães de guarda não te convencerem uma arma de fogo o fará
E daí, doce buscador, que América buscou você então? Saiba que hoje existem milhões de americanos buscando a América... saiba que mesmo com toda essa química que expande os olhos – só mais do que não está lá eles vêem
Alguns encontram a América nas canções das pedras aglomeradas, outros na névoa da revolução
Todos a encontram em seus corações... e Ah como ela aperta o coração
Não é tanto suas existências aprisionadas numa velha e insuportável América... mais a América aprisionada neles – que dilacera e obscurece o espírito
Uma nunca vista América, sonhada, incerta em tremores, vagabunda o coração, envia más vibrações adiante cósmica e ao contrário
Você poderia ver o desprezo em seus tristes olhos jovens, e enquanto isso as prisões estão virando barbearias, e o exército sempre foi
Contudo inábeis eles são pra aparar o furacão de seus olhos
Mira até Moisés, nenhum profeta jamais alcançou o prometido das terras... ah mas teus olhos estão mortos... e nem a América para além de sua derradeira sonhada colina na real paira
3.
Como se parecem nossos corações e tempo e morte, como nossa América lá fora e dentro de nossos corações insaciável e ainda assim transbordando aleluias de poesia e esperança
Como a gente sabia sentir cada pôr-do-sol, e Oh e Ah uivo pra cada tristeza dourada e desamparo de costa a costa em nossa busca por qualquer alegria inabalável nunca lá e agorassempre cinza
Sim a América a América imaculada e jamais revolucionada para a liberdade e sempre em nós livre, a América em nós - desfronteirada e a-historicizada, nós a América, nós os pais daquela América, a América que você Johnnyappleseedou, a América que eu anunciei, uma América nunca lá, uma América prestes a ser
O profeta afeta o estado e o estado afeta o profeta – o que aconteceu com você, Oh amigo, aconteceu com a América – a mancha... as manchas
E ah quando se pergunta sobre você “o que aconteceu com ele?” Eu digo “Aconteceu com ele o que aconteceu na América – os dois eram inseparáveis” como o vento para o céu é a voz para a palavra...
E agora aquela voz se foi, e aquela palavra é foice, e a América desfaz-se, o planeta fossiliza
Um homem pode ter tudo o que quer dentro de casa e ainda assim não ter nenhuma onda pra curtir do lado de fora da porta – pra um homem sensível, um homem poeta, tal fora só serve pra fazer de sua casa um lugar onde alguém mergulha na ressaca fiz isso por causa do hang oneself
E quanto a nós, querido amigo, nós sempre trouxemos a América pra dentro de casa – e jamais como roupa suja, mesmo com todas as manchas
E pela porta da frente, carinhosamente aninhada em nossos corações; onde nós sentávamos e desenvolvíamos nossos sonhos de beleza na esperança de que ela tornaria belo o nosso ninho
E o que aconteceu com o nosso sonho (beauteous: beat) de América embelezada, Jack?
Pareceu bonito a você, soou assim tão bem, em seu frio elétrico blues, aquela América que vomitou e empesteou sua casa, seu cérebro bom, aquela irreal falsa América, aquela caricatura de América, que ligou a América num muro... um galão de uísque desesperado te levou um dia a olhar aquela América em seu olho incorpóreo
E ela não te viu, ela nunca viu você, porque o que você viu não estava lá, o que você viu foi besteirol na tv, e toda a América estava nessa de bobeira, aquela América que emburrou você, emburrou a América, tudo aquilo emburrado, (brought you in), tudo aquilo em lugar algum sem conteúdo, não surpreende que você tenha sido solitário, morreu vazio e triste e sozinho, você a voz e a face na real... capturado nas ondas da falsa voz e da face falsa – que se tornou real e você falsificado,
Oh a terrível fragilidade das coisas
“O que aconteceu com ele?” “O que aconteceu contigo?” A morte foi o acontecimento; uma vida desenganada aconteceu; um Deus adoecido aconteceu; um sonho em pesadelo; uma juventude militarizada; militares massacrados; o pai quer devorar o filho, o filho usado como lenha pra acender a pira, (the son feeds his Stone, but the father no get stoned), mas o pai nada de pirar
E você Jack, pobre Jack, viu seu pai morrer, sua América morrer, seu Deus morrer, seu corpo morrer, morrer morrer morrer; e hoje os pais assistem seus filhos a morrer, e seus filhos assistem bebês a morrer, por quê? Por quê? Como nós dois perguntamos POR QUÊ?
Ah a horrível triste tristeza disso tudo
Você nada além de uma década Kerouac, mas quanta vida naqueles dez Kerouac!
Nada aconteceu a você que não tenha acontecido; nada ficou incompleto; você circulou por todo o ciclo, e o que está acontecendo com a América não mais acontece com você, porque o que acontece com a consciência de uma terra também acontece com a voz daquela consciência e a voz está morta ainda que a terra perdure pra esquecer o que escutou e da palavra não resta um osso
E tanto a palavra quanto o solo de carne e terra sofrem a mesma doença e a mesma morte... e morre a voz antes da carne, e o vento sopra um silêncio mortal sobre a terra moribunda, e a terra vai olvidar sua ossada, e nada de vento pra soar o gemido, só silêncio, silêncio, e nem mesmo o ouvido de Deus pra escutar
É, o que aconteceu com você, querido amigo, compassivo amigo, é o que está mudando todos e tudo no planeta o clamorosamente triste desesperado planeta agora com uma voz a menos... expansiva como o vento... partida, e agora quem vai soprar pra longe o terrível miasma da doença, doentia e moribunda em carne e terra a alma da América
Quando você pôs o pé na estrada à procura da América você encontrou somente o que você mesmo viu nela e um homem à procura de ouro encontra a única América que há pra encontrar; e este investimento e o investimento de um poeta... dá no mesmo quando vem a quebradeira, e estamos quebrando, no entanto as janelas são apertadas, não dá pra pular; do inferno ninguém jamais caiu
4.
No inferno os réus anjos também cantam (in Hell angels sing)
E cantaram para manter renovados
Os que seguiram quem carregou Cristo menino nos ombros
Abandonaram o inferno e contemplaram um mundo novo
Contudo com armas e bíblias eles vieram
E cedo sua morada nova envelheceu
E mais uma vez o inferno aportou.
O Arcanjo Rafael eu era pra você
E eu pus a cruz do Senhor dos Anjos
Em você... ali
No limite de um mundo novo a explorar
E você foi lampejo sobre um velho e escuro dia
Um beat criança-Cristo... com a gentil circularidade das coisas sobre os ombros
Insistindo que a alma é circular e não quadrada
E então... depois de ti
Seguiram os teus passos
Os filhos das flores.
Elegiac feelings american
Americanos elegíacos sentimentos
Tomando muita liberdade face ao literal pra dar conta dos jogos de palavras e sintaxe
Notas: beat: apanhar da vida. Bitter: amargo.
Foundling fathers.
How: howl.
À querida memória de Jack Kerouac
1.
Como são inseparáveis você e a América que você viu apesar de nunca estar ali pra ser vista; você e América, como a árvore e o chão, são um e o mesmo; mesmo que como uma palmeira no Oregon... morta assim que floresce, como um urso polar em acrobacias no Miami –
Como assim aquilo que você foi ou esperava ser, e a América não, a América que você viu e ainda assim não podia ver
Tal como e ainda assim incomum no chão de onde você brotou; você de pé sobre a América como uma árvore sem raiz e sem rumo; pra o esquilo não havia divórcio entre o pulo do chão e a escalada na árvore... até que ele viu nenhuma semente cair e soube que não havia casamento entre os dois; como é infrutífera, como é inútil, a triste desnaturada natureza; não espanta que o pôr-do-sol tenha deixado de ser deleite... já que de que valem terra e sol quando a árvore entre eles é inválida... a inseparável trindade, uma vez sem serventia, torna-se uma fria infrutífera insignificante mortementira triplamente marcada em sua horrível amputação... Oh açougueiro a costeleta não é o porco – O Americano alienígena na América é amargo desmembramento; e mesmo sua elegia, querido Jack, devia ter uma árvore retalhada, prensada até a celulose, que a conterá – não espanta que boas novas não possam ser escritas sobre essas más novas –
Como é alienígena a terra natal, como a árvore morre quando o chão é estrangeiro, frio, não livre – O vento não sabe soprar a semente da Sequóia em que ninguém nunca esteve ; nenhuma palmeira é soprada ao Oregon, que sábio o vento – Sábio tanto quanto os mensageiros do profeta... sabendo da fertilidade do tal lugar em que a dita profecia foi anunciada e poderia ser respondida – o semeador de trigo não semeia nos campos de cana; já que o semeador de voz também semeia o ouvido. E fosse o pequeno Liechtenstein ao invés de América, a designação... certamente então seríamos a língua de Liechtenstein –
Não foi tanto a gente descobrindo a América quanto a América descobrindo sua voz em nós; muitos discursavam pra América como se a América lhes pertencesse por usucapião, crédito, direito e lei juridicamente adquirida por meio de golpes materialísticos de prosperidade e herança; como o cidadão de uma sociedade acredita ser o dono da sociedade, e o que ele faz de si mesmo ele faz da América e assim quando ele fala de si ele fala da América e dessa forma outro ele é eleito pra representar o que ele representa... um ego infernal de uma América
Assim quantos patriotas discursam amorosamente sobre si mesmos quando discursam sobre a América, e não apreciá-los é não apreciar a América e vice-versa
A língua da verdade é a verdadeira língua da América, e não poderia ser encontrada no Daily Heralds já que a voz dali é uma voz controlada, amaldiçoadamente opinativa, e dirigida ao crédulo
Não espanta que nós nos tenhamos descoberto desenraizados, porque nós nos tornamos as próprias raízes, - a mentira jamais enraíza e dali cresce sob a verdade do sol e alcança o fruto da verdade
Taí Jack, eu não posso fazer o seu réquiem sem fazer o réquiem da América, e este é um réquiem que não me cabe antecipar, porque enquanto eu for vivo não existirão réquiens pra mim
Porque se a árvore morre a árvore nasce novamente, só depois que a árvore morrer pra sempre e nunca outra árvore nova nascer... então o solo morrerá também
Seus os olhos que viram, o coração que sentiu, a voz que cantou e lamentou; e enquanto a América viver, mesmo que seu corpo tenha morrido meu velho Kerouac, você viverá... porque de fato o nosso é o tempo da profecia sem a morte como conseqüência... porque de fato depois do nosso veio o tempo dos assassinos, e quem duvidará de suas últimas palavras “depois de mim... o Dilúvio”
Ah, mas se fosse questão de estações eu não duvidaria do retorno da árvore, se não pra que o solo que nos sustenta sendo ele incapaz de sustentar – é, a árvore vai cair quando for esta a estação, pois assim é o hábito da natureza, é assim que o solo, a queda, a lenta mas certa decomposição, até que a própria árvore se torna o próprio solo que a sustentou; depois que caia o solo... ah, e depois o quê? Isso não pode ser respondido na natureza, pois não haverá outro solo onde cair e repousar, nem queda, nem ascensão, nada crescerá, sem direção, e no que, por que, se a composição chegar à sua própria decomposição?
Nós viemos pra anunciar o espírito humano em nome da verdade e da beleza; agora esse mesmo espírito clama no lugar da natureza pelo horrível desequilíbrio de todas as coisas natural... esquiva natureza capturada! Como um pássaro na mão, aproveitado e remanufaturado nos moldes involutivos da técnica e do experimento
Pois é apesar de a árvore ter enraizado no solo o solo é revirado e nesse vômito forçado o terrível miasma das árvores fossilizadas da morte os restos milenares e a graxa de dinossauros mortos a eras são expelidos e espalhados trazidos novamente à superfície e avançam no céu e nós o respiramos em acúmulos de poluição
Que esperança pra América incorporada em ti, Amigo, quando o mesmo álcool que desencarnou o seu irmão pele-vermelha da sua América, desencarnou você – uma armação pra agarrar a terra deles, nós sabemos – ainda assim que armação pra agarrar a inagarrável terra do espírito de alguém? A Tua América visionária era impossível de ser visualizada – porque quando as sombras das janelas do espírito caem, aquilo que foi visto ainda permanece... os olhos do espírito ainda vêem
É, a América incorporada em ti, tão definitivamente enraizada assim, é a incorporação viva de toda a humanidade, jovem e livre
E sempre que a árvore redentora floresça, mesmo que não plenamente, mesmo que não com certeza, lá estarão os entrevados, velhos e tristes, que gostarão de fazê-la cair: eles cortam, retalham, atiram pra longe... que nada jovem e livre se sustente de qualquer maneira
Na verdade essas árvores eram como a juventude é... fossem tais árvores feitas pra cair, e não mais nascer pra crescer novamente, então o chão deveria cair, e o dilúvio chegar e inundar tudo, purificar tudo e todos pra sempre, como um vento vindo de lugar nenhum pra lugar algum
2.
“Como Clark Gable segura firme tuas mãos...” (conversa no México em 1956) – Mãos tão fortes e ensolaradas de México, ocupadas com a América, mãos que eu sabia iriam fazê-lo, iriam tomar conta e acariciar
Você estava sempre falando da América, e América sempre foi história pra mim, General Wolfe deitado no chão morrendo em sua farda vermelha brilhante amparado por alguém de farda azul pendurado na parede da sala de aula ao lado do pai da nação cujo peito estava sombreado na pintura... sim, a nossa foi uma História Americana, história com futuro, é claro;
Como um Whitman nós estávamos buscando, esperando por uma América, aquela América sempre uma América ainda em vir-a-ser, nunca uma América para ser cantada ou uma América para ouvir nosso canto, mas sempre uma América pela qual clamar cheio de esperança
Tudo o que nós tivemos foi a América passada, e nós mesmos, a América agora, e ah como nós guardávamos aquele passado! E Ah a grande mentira daquela sala de aula! A Guerra da Revolução... tudo o que nós tínhamos era Washington, Revere, Henry, Hamilton, Jefferson e Franklin... nunca Nat Bacon, Sam Adams, Paine... e a liberdade? Não foi pra conquistar a liberdade aquela guerra, liberdade eles tinham, eles eram os homens mais livres do seu tempo; foi para não perder aquela liberdade que eles pegaram em armas – ainda assim, e ainda assim, a estação em que nós florescemos para a cena era escassamente livre; há liberdade hoje? Não pra escutar o que o índio, o negro, o jovem têm a dizer
E no começo quando liberdade era tudo o que alguém podia escutar; não foi bem assim pras pobres bruxas de Salem; e aquele imenso entusiasta de liberdade, Franklin, pagou bondosamente100 dólares por cada escalpo de criança selvagem nascida livre; Pitt Jr conseguiu boa parte da cidade do amor fraterno por meio do ultraje ofensivo ao abandonar o coração confiante de seu irmão pele-vermelha com tortuosa trairagem; e como ignorava a liberdade o sábio Jefferson proprietário de negros que perderam a liberdade; pra os declaradores da Independência declará-la apenas para uma parte do todo era declarar a guerra civil
Justiça é tudo o que um homem da liberdade precisa esperar por; e justiça foi uma coisa extremamente importante pelos pais afundada; um diadema pra vida Americana sobre o qual podiam se estabelecer os gêmeos Deus e propriedade privada;
Como o pobre Americano nativo sofreu pela estabelecimento forçado daqueles dois pilares da liberdade!
Da Justiça brota um Deus inconstante; de Deus brota uma justiça ditada
“Os caminhos de Deus levam à liberdade” disse São Paulo... ainda assim é o homem que precisa da liberdade, e não Deus, pra ser capaz de seguir os caminhos de Deus
O justo direito do indivíduo à propriedade de seu pedaço de chão não se justifica para aqueles a quem a terra pertencia coletivamente em primeiro lugar;
Aquele que vende a terra da humanidade a um único homem vende a Ponte do Brooklyn,
A segunda maior causa de mortalidade humana... é a aquisição de propriedade
Nenhuma vida Americana vale um hectare da América... se Proibido Entrar ou cães de guarda não te convencerem uma arma de fogo o fará
E daí, doce buscador, que América buscou você então? Saiba que hoje existem milhões de americanos buscando a América... saiba que mesmo com toda essa química que expande os olhos – só mais do que não está lá eles vêem
Alguns encontram a América nas canções das pedras aglomeradas, outros na névoa da revolução
Todos a encontram em seus corações... e Ah como ela aperta o coração
Não é tanto suas existências aprisionadas numa velha e insuportável América... mais a América aprisionada neles – que dilacera e obscurece o espírito
Uma nunca vista América, sonhada, incerta em tremores, vagabunda o coração, envia más vibrações adiante cósmica e ao contrário
Você poderia ver o desprezo em seus tristes olhos jovens, e enquanto isso as prisões estão virando barbearias, e o exército sempre foi
Contudo inábeis eles são pra aparar o furacão de seus olhos
Mira até Moisés, nenhum profeta jamais alcançou o prometido das terras... ah mas teus olhos estão mortos... e nem a América para além de sua derradeira sonhada colina na real paira
3.
Como se parecem nossos corações e tempo e morte, como nossa América lá fora e dentro de nossos corações insaciável e ainda assim transbordando aleluias de poesia e esperança
Como a gente sabia sentir cada pôr-do-sol, e Oh e Ah uivo pra cada tristeza dourada e desamparo de costa a costa em nossa busca por qualquer alegria inabalável nunca lá e agorassempre cinza
Sim a América a América imaculada e jamais revolucionada para a liberdade e sempre em nós livre, a América em nós - desfronteirada e a-historicizada, nós a América, nós os pais daquela América, a América que você Johnnyappleseedou, a América que eu anunciei, uma América nunca lá, uma América prestes a ser
O profeta afeta o estado e o estado afeta o profeta – o que aconteceu com você, Oh amigo, aconteceu com a América – a mancha... as manchas
E ah quando se pergunta sobre você “o que aconteceu com ele?” Eu digo “Aconteceu com ele o que aconteceu na América – os dois eram inseparáveis” como o vento para o céu é a voz para a palavra...
E agora aquela voz se foi, e aquela palavra é foice, e a América desfaz-se, o planeta fossiliza
Um homem pode ter tudo o que quer dentro de casa e ainda assim não ter nenhuma onda pra curtir do lado de fora da porta – pra um homem sensível, um homem poeta, tal fora só serve pra fazer de sua casa um lugar onde alguém mergulha na ressaca fiz isso por causa do hang oneself
E quanto a nós, querido amigo, nós sempre trouxemos a América pra dentro de casa – e jamais como roupa suja, mesmo com todas as manchas
E pela porta da frente, carinhosamente aninhada em nossos corações; onde nós sentávamos e desenvolvíamos nossos sonhos de beleza na esperança de que ela tornaria belo o nosso ninho
E o que aconteceu com o nosso sonho (beauteous: beat) de América embelezada, Jack?
Pareceu bonito a você, soou assim tão bem, em seu frio elétrico blues, aquela América que vomitou e empesteou sua casa, seu cérebro bom, aquela irreal falsa América, aquela caricatura de América, que ligou a América num muro... um galão de uísque desesperado te levou um dia a olhar aquela América em seu olho incorpóreo
E ela não te viu, ela nunca viu você, porque o que você viu não estava lá, o que você viu foi besteirol na tv, e toda a América estava nessa de bobeira, aquela América que emburrou você, emburrou a América, tudo aquilo emburrado, (brought you in), tudo aquilo em lugar algum sem conteúdo, não surpreende que você tenha sido solitário, morreu vazio e triste e sozinho, você a voz e a face na real... capturado nas ondas da falsa voz e da face falsa – que se tornou real e você falsificado,
Oh a terrível fragilidade das coisas
“O que aconteceu com ele?” “O que aconteceu contigo?” A morte foi o acontecimento; uma vida desenganada aconteceu; um Deus adoecido aconteceu; um sonho em pesadelo; uma juventude militarizada; militares massacrados; o pai quer devorar o filho, o filho usado como lenha pra acender a pira, (the son feeds his Stone, but the father no get stoned), mas o pai nada de pirar
E você Jack, pobre Jack, viu seu pai morrer, sua América morrer, seu Deus morrer, seu corpo morrer, morrer morrer morrer; e hoje os pais assistem seus filhos a morrer, e seus filhos assistem bebês a morrer, por quê? Por quê? Como nós dois perguntamos POR QUÊ?
Ah a horrível triste tristeza disso tudo
Você nada além de uma década Kerouac, mas quanta vida naqueles dez Kerouac!
Nada aconteceu a você que não tenha acontecido; nada ficou incompleto; você circulou por todo o ciclo, e o que está acontecendo com a América não mais acontece com você, porque o que acontece com a consciência de uma terra também acontece com a voz daquela consciência e a voz está morta ainda que a terra perdure pra esquecer o que escutou e da palavra não resta um osso
E tanto a palavra quanto o solo de carne e terra sofrem a mesma doença e a mesma morte... e morre a voz antes da carne, e o vento sopra um silêncio mortal sobre a terra moribunda, e a terra vai olvidar sua ossada, e nada de vento pra soar o gemido, só silêncio, silêncio, e nem mesmo o ouvido de Deus pra escutar
É, o que aconteceu com você, querido amigo, compassivo amigo, é o que está mudando todos e tudo no planeta o clamorosamente triste desesperado planeta agora com uma voz a menos... expansiva como o vento... partida, e agora quem vai soprar pra longe o terrível miasma da doença, doentia e moribunda em carne e terra a alma da América
Quando você pôs o pé na estrada à procura da América você encontrou somente o que você mesmo viu nela e um homem à procura de ouro encontra a única América que há pra encontrar; e este investimento e o investimento de um poeta... dá no mesmo quando vem a quebradeira, e estamos quebrando, no entanto as janelas são apertadas, não dá pra pular; do inferno ninguém jamais caiu
4.
No inferno os réus anjos também cantam (in Hell angels sing)
E cantaram para manter renovados
Os que seguiram quem carregou Cristo menino nos ombros
Abandonaram o inferno e contemplaram um mundo novo
Contudo com armas e bíblias eles vieram
E cedo sua morada nova envelheceu
E mais uma vez o inferno aportou.
O Arcanjo Rafael eu era pra você
E eu pus a cruz do Senhor dos Anjos
Em você... ali
No limite de um mundo novo a explorar
E você foi lampejo sobre um velho e escuro dia
Um beat criança-Cristo... com a gentil circularidade das coisas sobre os ombros
Insistindo que a alma é circular e não quadrada
E então... depois de ti
Seguiram os teus passos
Os filhos das flores.
4/15/2011
1
Brancoazul profundo, suave
Luz virada pra dentro
Do céu entre
Nuvens azulcinza
Cinza de véu quase transparente
Com um novelo azul
Por dentro,
Pano de fundo
Pra ratos entrecomendo seus vômitos, no lugar
Do meu coração, um rato
Roendo meu peito, minha voz
Chiado de ratos. Ratos em toda parte
Alma de nosferatu, a peste
Transforma seus olhos em buracos negros
Onde a luz se devora.
Transfusão de brisa na veia
Luz lâmina fria
Nos olhos & chama
O anjo produtor de raticida.
2
Nuvens pesadas, anjos
Vomitando granizos, mal
Conseguimos caminhar sob a madrugada
O céu é mar de absinto
Céu da boca noturna de um dragão melancólico.
Quase se apaga
O fogo sutil das estrelas e há mofo
Na superfície da lua.
Um anjo estende o braço
E água gelada é injetada em sua veia.
Brancoazul profundo, suave
Luz virada pra dentro
Do céu entre
Nuvens azulcinza
Cinza de véu quase transparente
Com um novelo azul
Por dentro,
Pano de fundo
Pra ratos entrecomendo seus vômitos, no lugar
Do meu coração, um rato
Roendo meu peito, minha voz
Chiado de ratos. Ratos em toda parte
Alma de nosferatu, a peste
Transforma seus olhos em buracos negros
Onde a luz se devora.
Transfusão de brisa na veia
Luz lâmina fria
Nos olhos & chama
O anjo produtor de raticida.
2
Nuvens pesadas, anjos
Vomitando granizos, mal
Conseguimos caminhar sob a madrugada
O céu é mar de absinto
Céu da boca noturna de um dragão melancólico.
Quase se apaga
O fogo sutil das estrelas e há mofo
Na superfície da lua.
Um anjo estende o braço
E água gelada é injetada em sua veia.
4/10/2011
UMA PUTA PARA NÓS
UMA PUTA PARA NÓS
Uma puta
para Cesare Pavese
uma puta para Baudelaire
e uma puta para nós
Um feixe cru
a luz morna e morta
uma negra
para mim e para Rimbaud
Uma puta
para Hemingway
uma puta
para Aldemar e para Daniel
Uma puta
(para elas)
dizem, falam, escutam
toda mulher nasce bi
Uma esperança
uma sombra
cavada
um ralo cheio de fetos
Uma puta
para Lorca
outra para Neruda
uma puta para nós
Uma puta
linda, serena e doce
uma puta que tenha lido
Nietzsche e Freud
Uma puta
que nos escute
uma professora
que enreda e engana a noite
Uma puta para nós
mas que como
nos orienta Bukowski:
lembre-se que nenhum rabo do mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977)
Foto: Prostitutas antigas 1912 por E.J. Bellocq.
4/06/2011
Telepatia inexiste
Telepatia, lá está
Na pequena jaula
De ferro, quando
O sangue é seu próprio
Veneno, telepatia
Não há.
Soro na veia
Canto de sereia:
Contagem regressiva
Sangue sujo de areia
Tirada de velhas ampulhetas.
Jaula alheia
Sufoca.
Unhas no pescoço
Até sangrar.
As palavras são leves
A grade é de ferro
O soro é intravenoso
O sangue virou lixo
Solidão não tem remédio
E telepatia não há.
Na pequena jaula
De ferro, quando
O sangue é seu próprio
Veneno, telepatia
Não há.
Soro na veia
Canto de sereia:
Contagem regressiva
Sangue sujo de areia
Tirada de velhas ampulhetas.
Jaula alheia
Sufoca.
Unhas no pescoço
Até sangrar.
As palavras são leves
A grade é de ferro
O soro é intravenoso
O sangue virou lixo
Solidão não tem remédio
E telepatia não há.
3/22/2011
Lugar de fala: Hiperbórea
é onde a voz é grito, uivo
é de onde a voz quasefala, canta, hare,
é aqui sentado perplexo à sombra da Instituição, óculos espelhados do Histrionapólogo
é onde o sem sentido não tem muro onde se escorar, deus animal da boca de musgo,
é aqui sob a obviedade oleosa dos elogios trocados como moedas na garganta de defuntos que se preparam pra descer ao abismo solar
é de onde o nada é triturado por dentes metálicos e a fome insaciável
é partindo daqui até onde as palavras sublinhadas pela sobrancelha de OitoOlhos
anjos surfando no vômito bolorento dos faraós
um deus de corpo cheio de feridas fala é como se as palavras saíssem em negrito de sua boca e observado de seu imenso altar como aqui é pequeno diante do abominável dragão de cera que flutua nas trevas mas aqui é o Negro entre as cores o Centro no oceano celeste e aqui a alma não está fraca e agonizante
vade retro Jacaré que vive na moita mergulhado em excrementos com os olhos imóveis querendo comer minhas Palavras
não tenho sangue de barata é daqui todos os lugares todos corações têm seu ponto fraco onde unhas foram cravadas sobre as cicatrizes das feridas reabertas por unhas cravadas e novamente e assim por diante,
falo desse lugar onde as repetições infeccionam
no altar em que a criança foi sacrificada em Bohemian Grove
é onde as paredes murmuram o chão soluça a luz quente lambe minhas orelhas causando profundo asco a cadeira range a tinta geme sobre o papel – essas coisas que têm e voz mas não falam por falta de Firma Reconhecida
ou seria logo ali esmagado na mais ínfima nota de rodapé do mais dispensável dos livros na mais empoeirada das prateleiras da mais decadente das bibliotecas
é no centro do círculo desenhado no chão pra me proteger dos demônios mas os demônios aqui entraram segundos antes de o círculo ficar pronto e estou preso com eles e nem por isso
ou seria na casa da Mãe Joana e Clio mora nesse puteiro e Clio toca guitarra e é a musa da tagarelice e tempo é rumor de cordas vocais arranhadas
Ou quem sabe estou muito longe daqui e sou teleguiado por um grupo de cientistas marcianos subversivos e por isso essas palavras saem como brasa da minha garganta mas não dizem nada não dizem nada nada nada e são o rumor Negro de onde nascerão novas palavras de lugar
algum
é de onde a voz quasefala, canta, hare,
é aqui sentado perplexo à sombra da Instituição, óculos espelhados do Histrionapólogo
é onde o sem sentido não tem muro onde se escorar, deus animal da boca de musgo,
é aqui sob a obviedade oleosa dos elogios trocados como moedas na garganta de defuntos que se preparam pra descer ao abismo solar
é de onde o nada é triturado por dentes metálicos e a fome insaciável
é partindo daqui até onde as palavras sublinhadas pela sobrancelha de OitoOlhos
anjos surfando no vômito bolorento dos faraós
um deus de corpo cheio de feridas fala é como se as palavras saíssem em negrito de sua boca e observado de seu imenso altar como aqui é pequeno diante do abominável dragão de cera que flutua nas trevas mas aqui é o Negro entre as cores o Centro no oceano celeste e aqui a alma não está fraca e agonizante
vade retro Jacaré que vive na moita mergulhado em excrementos com os olhos imóveis querendo comer minhas Palavras
não tenho sangue de barata é daqui todos os lugares todos corações têm seu ponto fraco onde unhas foram cravadas sobre as cicatrizes das feridas reabertas por unhas cravadas e novamente e assim por diante,
falo desse lugar onde as repetições infeccionam
no altar em que a criança foi sacrificada em Bohemian Grove
é onde as paredes murmuram o chão soluça a luz quente lambe minhas orelhas causando profundo asco a cadeira range a tinta geme sobre o papel – essas coisas que têm e voz mas não falam por falta de Firma Reconhecida
ou seria logo ali esmagado na mais ínfima nota de rodapé do mais dispensável dos livros na mais empoeirada das prateleiras da mais decadente das bibliotecas
é no centro do círculo desenhado no chão pra me proteger dos demônios mas os demônios aqui entraram segundos antes de o círculo ficar pronto e estou preso com eles e nem por isso
ou seria na casa da Mãe Joana e Clio mora nesse puteiro e Clio toca guitarra e é a musa da tagarelice e tempo é rumor de cordas vocais arranhadas
Ou quem sabe estou muito longe daqui e sou teleguiado por um grupo de cientistas marcianos subversivos e por isso essas palavras saem como brasa da minha garganta mas não dizem nada não dizem nada nada nada e são o rumor Negro de onde nascerão novas palavras de lugar
algum
3/18/2011
Pássaros nas veias
Tudo que nasce
Deve morrer tudo que morre
Tem que renascer
Para o êxtase, a dor
A nostalgia do êxtase, a antevisão
Da dor –
Medo frutifica conselhos,
Transfusão de luz, gotas
De alegria a germinar
Entre sombrias gerações.
Tudo que renasce tem que morrer
Para o sofrimento, a alegria
Tudo o que existe transborda
Brother, me deixe extravasar.
Meu coração é um veículo
De dores ancestrais
E êxtases: prever
A alegria ainda não é alegria
Antever a dor já é
Sofrimento, brother
Me deixe escolher meus erros,
Errar por aí, com pássaros
Errantes nas veias.
Tudo que nasce
Deve morrer tudo que morre
Tem que renascer
Para o êxtase, a dor
A nostalgia do êxtase, a antevisão
Da dor –
Medo frutifica conselhos,
Transfusão de luz, gotas
De alegria a germinar
Entre sombrias gerações.
Tudo que renasce tem que morrer
Para o sofrimento, a alegria
Tudo o que existe transborda
Brother, me deixe extravasar.
Meu coração é um veículo
De dores ancestrais
E êxtases: prever
A alegria ainda não é alegria
Antever a dor já é
Sofrimento, brother
Me deixe escolher meus erros,
Errar por aí, com pássaros
Errantes nas veias.
3/15/2011
O vírus do esquizo email traduzido pelo google
Fotos, reflexões arrebatadoras, partes que temos visto
do Caminhão com sua compra. TeaParty, concessionária de questões, pergunta florida: em geral, as pessoas em rede de CicloVital help desk contributo activo.
Em todo o mundo maçãs androides maçãs maçãsbyte mais notícias sobre pizza Calzone ou
Jaguar. Passam rasgando os camponeses temporada na hora do rush com onças de defesa, após a potência do Varejo na temporada anunciada. Alvo: ipad, vender computadores, potência; Alvo: olhar o seu potencial. Alvo: capacidade de resistência inútil, rip.
Enviado: lidar safira.
Não opine llamado DESDE observatorio "nuestras, columna Olympus Stylus computertv e câmera digital”.
do Caminhão com sua compra. TeaParty, concessionária de questões, pergunta florida: em geral, as pessoas em rede de CicloVital help desk contributo activo.
Em todo o mundo maçãs androides maçãs maçãsbyte mais notícias sobre pizza Calzone ou
Jaguar. Passam rasgando os camponeses temporada na hora do rush com onças de defesa, após a potência do Varejo na temporada anunciada. Alvo: ipad, vender computadores, potência; Alvo: olhar o seu potencial. Alvo: capacidade de resistência inútil, rip.
Enviado: lidar safira.
Não opine llamado DESDE observatorio "nuestras, columna Olympus Stylus computertv e câmera digital”.
3/10/2011
Você anda por aí com seu colar de sanguessugas pendurado no pescoço, você tem que celebrar seu aniversário e tal, ninguém nunca sabe se você está falando sério ou só brincando, é tanto sofrimento no mundo e dar a outra face só piora as coisas, aquela velha canção sobre as armas de fogo, matar bem matado boas almas e armas que são, vamos falar sobre as cobranças de falta do Zico enquanto você desmaia e desce ao inferno, a garota está possuída pelo diabo e morde sua mão enquanto você tenta fazer um sinal da cruz sobre seu rosto desfigurado, um riso amargo de merda na tua cara você fez a tatuagem pra parecer mais jovem, pra isso que servem os amigos, pra levantar o baixo astral, deixe o veneno correr, solte o veneno, as armadilhas foram armadas e você é figurante no teste definitivo da vida ser ou não ser um sapo peçonhento, como vou te encontrar meu amor se o celular pifar, se de repente o número do seu apartamento for alterado, se aquele mágico der um jeito de te raptar & você se lembrar que tudo não passou de um mal entendido, um lento e lúcido foda-se enquanto o pano desce.
3/07/2011
Uma pata da barata deixou um fiapo entre seus dentes, palite-os com uma das duras asas da besta voadora. O que você fez com seu sangue, amor? Segure o vômito na boca antes de descermos do carro. A tremenda babaquice disso tudo. Girar as pedras de coração com os dedos no copo de uísque é ainda mais legal do que beber. E olha que o psiquiatra mandou que eu tomasse aquele remedinho. O desejo é errante. Você entra por aqui, vai, por ali, não dá. Que pena, quando você me abandonar vou injetar asfalto derretido na veia, a revolta está nos genes. Como daquela vez, eu bebia água de coco no parque e acordei dormindo em pé com um zumbi enfiando as unhas nas minhas costas, dei meu sangue de bebida pras pombas nojentas que vêm me visitar sempre que o dia amanhece, elas deram aos piolhos que morrem sobre o asfalto quente: chamo isso de ciclo kármico do resta saber se outro inocente vai se foder com a gente. Eu era tão interessante quando era o centro das atenções, o desejo é satisfação de terceiros. Não tem mais nada, é isso. O Rumor é um deus de inúmeros olhos e línguas. Toda explicação é subterfúgio. Toda teoria é conversa fiada. Só não sei como vim parar no meio dessa baixaria.
3/04/2011
Vai que trabalhar é bom
Na catacumba do lustre brilhante, paredes lodosas, luz embaçada, friocalor de mormaço, as amebas flutuantes andam a repetir nos dentes vagarosos como quem mastiga um bom pedaço de cartão bancário de plástico e envia cartas para além-túmulo: eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Essas palavras grudadas nos corredores são como arame farpado na imaginação de um poeta com gripe suína, um mantra de tristes duendes endemoniados, um grito de orgasmo de uma sereia que expele metano pelas narinas.
3/02/2011
3. Lua cheia alta noite clara como o fim da madrugada o ponto indefinível em que a tarde é envolvida pelo céu noturno os caminhos de areia as pedras negras azuladas eu caminhava num mundo reconhecido como se um véu cobrisse tudo mas um véu que desse às coisas um contorno com mais brilho e nítido esse azul potência criadora de tudo que move minhas mãos enquanto escrevo à procura daquela claridade escura de azul marinho em lua cheia o fundo brancoazul dos seus olhos movendo nossas almas,
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