10/22/2011

É um cristal ou melhor: cristalização. Quase. Uma estrela
Do mar, na ponta de cada tentáculo
Dentes, de lobo: animal faminto
Devorando as bordas
Do mundo.

Oito-Olhos no centro: aranha cravada no eixo
Do nada
Patas caçando
Um porto seguro
No vazio, raízes em expansão:

Pensar num besouro caído com o dorso
No chão quente: movimentos descoordenados no ar:
Membros de uma pessoa jogada do terraço de um arranha
Céu.

Tudo isso.

Um corpo que sente a vida ser criada
Apaixonadamente, como dor, feridas
Que se cristalizam, mineralizando-se:

Assim o desejo se cristaliza em poema.
Assim o lodo se cristaliza em história.
Assim o caos se cristaliza em cosmo.

4 comentários:

Aldemar Norek disse...

Um poema é sempre uma convulsão e um salto no vazio?

Gostei muito deste, Daniel!
Abraço...

Marceli Andresa Becker disse...

Caralho, putaquepariu! Daniel, tu vai tomar no...

Afff, as estrofes sofrem uma contínua metamorfose, ficou demais o efeito: o cristal, que é estrela, que tem dentes de LOBO,

animal que devora as bordas do mundo...

a aranha que vem em seguida,

as patas que caçam porto... (uma espécie de marionete-bicho, suspensa...),

e essa imagem da aranha CONFABULA, por trás do poema, a que segue, do besouro, cujas patas tbm

estão desordenadas, no ar,

e de repente de uma baita altura, da altura de uma estrela (o céu, a seguir, confirma), talvez, (a estrutura de toda tragédia é circular), uma pessoa é jogada do terraço de uma aranha, e os seus membros, no vazio,

são os membros do besouro caído com o dorso no chão

do terraço?

Tudo isso.

Este eu exijo que tu me permita publicar no blogue... Manda por e-mail, porque senão vou precisar copiar tudo: mab_1109@yahoo.com.br

Ah, desculpe se os palavrões ofenderam! É o que eu digo quando algo realmente me faz pensar "bahhhh!!!".

FUI! Eu devo ter viajado horrores aqui.
Mar

Daniel F disse...

Não Mar, adorei sua leitura explosiva. Eu também gosto muito desse poema, Aldemar. não to satisfeito com as últimas coisas que to escrevendo, mas desse gostei. Vai por email, Mar.

Abraços!

Aldemar Norek disse...

Você vira e mexe diz isso.
Mas tem mandado poemas de alta voltagem.
Abraço.