8/25/2012

Silêncio par(a) Mar




















Silêncio par(a) Mar



O Silêncio é de pedra.

Pedra, pedra, pedra.

Imenso é o silêncio do jardim devastado,
Quando o jovem noviço coroa a fronte com folhagem marrom,
E seu hálito bebe ouro gelado.
As mãos tocam a idade da água azulada
Ou em fria noite os rostos brancos das irmãs.

Porque teu olhar é de pedra
Tua boca é de pedra

E dormes onde avançam
Hidras
De horas salobras

Sob galhos podres, por muros cheios de lepra,
Por onde antes passou o santo irmão
Mergulhado nos doces acordes de seu delírio.

Porque tua garra é de pedra
Teu quadril é de pedra

Teu ódio é de pedra.

Pedra, pedra, pedra.

Tudo passou onde antes era pedra
E tudo retornou
Onde agora é só pedra

Só pedra, pedra e pedra.

Assustador é o declínio da raça.
Neste momento, os olhos do contemplador enchem-se
Com o ouro de suas estrelas.

E agora o Mar
Choca-se contra as pedras
Raivoso e verdeazul

Porque teu silêncio é de pedra.

Pedra, pedra, pedra.




(Imagem: pintura de Karl Hofer)

7 comentários:

Marceli Andresa Becker disse...

Este preciso vir comentar com tempo amanhã! Obrigada :), gosto muito.

Mar

Anderson Dantas disse...

Me desculpem todos,mas hoje me ative a ler mais os comentarios que os posts e arremesso 3 pedras: 1. Temos que nos provocar, unica maneira de escrever com as visceras; 2. Escrever um livro coletanea do LE, com tematica pre-definida, mas buscando a unidade da deixa do escrito anterior; 3. Esta na hora de mudar o design do LE, algo mais arrojado para a qualidade literaria contida. PS.: tudo escrito sem acento porque estou no celular. Pedra, pedra, pedra.

Daniel F disse...

Oi Anderson,

sobre mudar o design, eu até acho uma boa ideia. mas tenho muita preguiça de aprender a mexer nessas coisas, pelo menos sozinho.

sobre o livro, volta e meia converso com o Aldemar sobre isso. eu acho uma ótima ideia.


sobre as provocações e tal: acho que aqui tem fases, ultimamente, pouco antes de você voltar,tava meio morno mesmo. mas já teve momentos bem legais e intensos.

Abraço

Aldemar Norek disse...

Pra mim nunca é morno. O LE tem pra mim o cheiro de uma casa compartilhada e que sempre gostei de compartilhar.

Tenho andado distante próximo por motivos exteriores à poesia - mas estou sempre aqui bordejando, publicando ou não, comentando ou não.
A ideia da publicação é legal, não poucas vezes Daniel e eu conversamos sobre isso, só não sei se puxar uma temática comum pode dar certo, porque cada um tem olhares e recortes diferentes do mesmo real - entendam, não estou discordando efetivamente, apenas racionalizando. Talvez fosse o caso de recolher de todo o postado aquilo que refletisse algum traço comum dessa produção esparsa, caótica e, porque não?, visceral. Talvez a liga do LE seja o fato de que para a maioria a poesia esteja muito ligada à vida e não à literatura, literatice, e quetais.

mudar o design, bacana, posso opinar, mas nesse momento não tenho a menor condição de "trabalhar" nisso. Primeira opinião - qualquer design que não suprima o jeito meio largado do Lingua.

no mais, que alegria ver você de volta à casa, Anderson. E tamos aí, para mais papo e poesia.

Abração pra todos.






Aldemar Norek disse...

esqueci de falar o principal!

que beleza de poema, Andenson...

mandou muito.

Abraço!

Anderson Dantas disse...

Aldemar, como havia te enviado um email, alem de ter estancado meu verbopoema, estava envolvido com a gravidez de risco de minha esposa e minha filha nasceu prematura. Entao resolvi escrever um poemahomenagem para os amigos mais chegados do LE para mim. O proximo ja esta quase pronto ... Aqui me sinto numa casa de um acolhimento terno ... Eu que sou turbulento ... Mas sempre no intento de me tornar um Ser Melhor

Aldemar Norek disse...

Nós somos mano, bróder.

Rapaz, você me mandou um email recentemente? Desculpe se não vi, ando imerso em tantas coisas por aqui que deve ter passado batido. Desculpe.Espero que esteja tudo bem aí com sua esposa e sua filha. Dê notícias sobre isso.

E é mesmo, esse bangalô aqui tem um clima fraterno que abriga todas as nossas turbulências, e elas convivem na boa.

De novo: que bom ver você de volta.