9/20/2007

Sem título

Quero despertar minha amiga Nadir, que dorme há uns quarenta anos com os olhos abertos, num túnel de esgoto que liga a Universidade de Brasília ao Lago Paranoá. Quero de volta a solidariedade dos dois bêbados que se arrastavam na 204 Sul, no único dia em que aquele terreno amaldiçoado pela profecia do santo pedófilo assistiu à explosão da mais pura inocência. Mas meu amigo Fábio é daqueles que sofrem de amnésia alcóolica e a triste verdade é que não tenho nada a ver com os carneiros sedentos de sangue ou com os psiquiatras candidatos a vedetes no microgueto cultural que naquele dia riram de nossas caras.

A Guerra Absoluta sempre foi a verdade teórica das guerras, limitada apenas por restrições mundanas, enquanto os redatores oitomãos de aranha caminhavam com o cérebro de Keyserling sobre suas cabeças. Eles traficavam dentes de um sorriso imaginário, dentes arrancados de suas próprias caveiras ressecadas na areia do deserto que foi, é e será porra mineralizada.

Nas guerras de descolonização da África uma técnica de tortura contra intelectuais consistia em forçá-los a apresentar palestras exaltando as glórias francesas. Ou então organizava-se uma brincadeira do tipo polícia-e-ladrão em que eles agiam como policiais. Depois de um tempo eles repousavam numa esquizofrenia acomodada, no conformismo de anestesiados depois dos sucessivos psicodramas. Eles eram forçados a ver a futilidade das opiniões, em face da brutalidade seus rostos eram espelhos estilhaçados.

É por isso que não tenho vergonha ou remorso de rezar pela manifestação festiva da palavra num foda-se conclusivo que acabaria com este carteado imbecil, em que faço o papel de croupier cordial e hipócrita.

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