10/02/2007

Verde verde vômito como amarelo – amor amor o caralho solidão – meu ego é minha cela meu sétimo selo ainda ontem uma criança desenhava em traços grosseiros o que bom dia ser uma forca mas era uma chave duas chaves voando ao redor de um trem tosco o que me fez pensar no corpo no corpo no cadáver no resto que era silêncio nos restos mortais no porque agora sim agora não agora sim agora não eu te amo meu bem ve se sai do meu caminho peste se eu entrasse naquele trem que mais parecia um funerária ferroviária desenhada num caderno verde verde como vômito amarelo bem que eu veria todas as faces pétalas podres num ramo seco

Agora outra questão é se o rancor tembém tem dedos como as palavras de amor – o rancor as palavras entrando como um cotonete na uretra como agulhas nas veias – tudo o que passamos juntos meu bem teus sonhos me dão náuseas ah messias menina civilizadora e seus colegas cafajestes fantasiados de sentidos embaralhados mas sabendo que cada coisa em seu lugar a luz acesa os copos sobre a mesa as palavras certeiras o a ser dito e a não ser dito – ai esta maldita coceira no ânus

da burguesia que palavra mais antiga –

a primavera começou o frio ainda é forte muitas indefinições palpáveis pelo menos é o que diz o meu horóscopo acho que odeio campinas que odeio brasilia que odeio o que amo que amo o que odeio que fico rodeando o que sinto como mosca na merda atrás de que alguma pureza

bem não vou pensar nos dias perdidos no alarme do despertador no que devia ter lido o que está escrito no que ainda não li? Talvez a mesma a mesma letra morta escrita à margem das citações e se eu me tornasse um agente da expansão civilizadora? Se eu ensinasse as artimanhas do corte e costura da postura boa ou má tanto faz se eu me vestisse de lobo pra entrar nos teus sonhos e te dizer liga pra liga pra mim estou muito sozinho mas pedir já seria demais pra nossa paciência tão gasta não é minha gérbera?

e se eu te levasse no trem desenhado grosseiramente pelo menino ontem à noite (ele mal acabou de desenhar e já estava dormindo) acho que lá dentro depois da fina parede de papel entre o papel e a mesa dentro do trem deve haver outra chave um rabisco apenas que eu chamo de chave por comodidade mas que é outra coisa outra coisa ainda

não era bem isso que eu estava dizendo

Um comentário:

Aldemar Norek disse...

bonito isso,Daniel. E não só.