9/16/2012

Redor para Masé















um escritor viaja de trem,
a letargia faz querer avançar.
sem chumbo nem a ironia do vinho.
                      Masé Lemos



não se pode avançar.

porque tudo
é recusa
da pedra

tempo, tempo, tempo

todos
ouviram a delicadeza
do lisianto

na brisa
abalada

calados,
feios e nus, não tivemos
fogo

quando o ventre
anoiteceu

e acordamos
ancorados

na dor da sombra.

pedra, pedra, pedra

origem da voz,
orgia de pássaros

grão e assobio

gelo e espanto.

não se pode avançar.

tempo, dor, pedra



4 comentários:

Anderson Dantas disse...

Masé, estive relendo seu livro, Redor, e quanto é sensível. Gosto muito.

Velut Luna disse...

Pausa.Um minuto de silêncio, o aplauso mudo de espanto frente ao desconcertante talento do poeta.Bravo!

Anderson Dantas disse...

Ginga, que bom ter você aqui!
Obrigado pela visita, volte sempre, será sempre bem-vinda!
Beijo

Anônimo disse...

feliz com esse diálogo! bacana.