10/17/2006

A escarpa escura não verá o sol

naquela tarde chuvosa
quando a água limpa os traços
de que adianta o esforço das palavras
ágeis plantas alastrando-se pelos muros
contaminar o mundo
com outro mundo

agora seus olhos
atravessam a rua
molhada
invade uma necessidade vital
de ser atingida
uma voz
as coisas

e você estabelece ali sentada
a paz disfarçada de um café
as mãos pelos cabelos lisos.

3 comentários:

Eliana Pougy disse...

Masé, adorei a poesia. Madura e serena.

Masé Lemos disse...

Eliana, queria passar uma serenidade forçada, escapista na pausa do café... obrigada

Aldemar Norek disse...

bom ver sua poesia aqui. Como em quase todas que li fica em mim uma forte impressão.