10/27/2006

Gravidez

1.
ser dúplice cúmplice de si mesmo, eis o sistema e suas molas, azeitadas em seus termos. reconhecer o centro verde, o fulcro do prazer, eis o modo de ser ao que ele der
e vier (ele:o sistema, rede que se procria em palavras e que te descria, descrente).
falar do sangue nas veias, nas teias de aço do sempredito, eis as cisternas do sistema:

- ser seu ermo e nada a esmo.

2.
o sistema é uma boca falando sobre o sistema, um corpogosma que se carapaça no cronograma, o número da roleta em que você aposta, seu número da sorte, até o dia em que você desaba na vertigem de uma coisa que de si se desincorpora, uma coisa que não é mais coisa, que se recusa no mesmo nome que você criou, soberano ilusório da desistência deposto por este rosto que fala uma dor que não é sua.
daí em diante do espelho: você é animal repentino que se destroça

- e sabe a alegria em se destroçar.

3 comentários:

Eliana Pougy disse...

Penso que não seja "destroça": é potência, é expansão.

Masé Lemos disse...

se isto é úm´poema, devemos esquecer a significação... significado... se destroço tem sonoridade, se conjuga bem na economia do poema, e isto tem muito de uma escuta, então .. é ísto

Daniel F disse...

To longe de ser "neutro" na questão, mas concordo com a Masé. O legal pra mim é essa ambivalencia do destroçar como Alegria. Alegria é potência que se atualiza mesmo. Mas principalmente tem o lance da sonoridade que ressignifica o destroçar. Um beijo pra vocês, aliás dois beijos,
Daniel F.