Poesia: Só mais um clique (Eliana Pougy)
Clipes: O Piano (Jane Campion)
Give it away (Red Hot CHlli Pepper)
Quando você é vulgar: apenas negocia convenções, não domina os segredos, qualquer um pode dizer que árvore é o nome de uma cidade, que cidade é o nome de uma arma, que arma é um sentimento, que sentimento é o nome de um faraó. A língua epistolar é a conversa vulgar no desentendimento, mesmo que este ocasione encontros repentinos e imprevistos. É quando uma criança autista diz pra você: se o mundo gira, porque você não fica tonto?
Poesia: Só mais um clique (Eliana Pougy)
Clipes: O Piano (Jane Campion)
Give it away (Red Hot CHlli Pepper)

Havia um cérebro guardado em conserva ao lado de intestinos de animais
Exóticos.
Este cérebro continha os segredos do suicídio em túnica branca para a alma dos tiranos e sabia falar metalicamente, encadeando uma palavra na outra, num tão agudo que perfuraria o ouvido das massas, aderindo-as ao programa da pacificação universal
Se elas soubessem ouvir por vias indiretas, quando dizia
Há uma serpente nos olhos do amante e da prostituta e eu estou aqui pra desfazer os nós através
Da metodologia dos mestres do chá e inventei uma cruz de cristal líquido para o seu pânico indolor, no bojo da questão.
acordo no meio da rua,
qualquer uma
das dez mil milhões de sujas
ruas paulistanas
um homem de terno azul
marinho e óculos escuros
e insígnia dourada na lapela
me olha fixamente
ele quer saber meu nome
e me segue por todas as quebradas
da cidade esquadrinhada.
ele quer saber de onde venho
e tem no bolso uma chave prateada
e no pulso um relógio cravejado de dentes.
ele espalha a própria voz pelas vielas
e pelos lustres de cristal do velho palácio
sussurra falando cuspindo via rádio
recitando poemas marioandradianos.
- nesta cidade imensa e nenhum sobrenome?
ele inquere.
na calçada onde escorre mijo
em frente à banca de óculos de sol
- são mais de trinta óculos olhando
angulosos traços na calçada,
ao som de balidos da última balada
de elton john .
Vivo intensamente a vida experimental. Ontem mesmo joguei mostarda no meu frango a passarinho.
O problema, mora, mora na moral. Tipo assim, mas que papo mais sei lá, eu hein, heil, véi: é o meu mestre Jack de Figueiredo discursando sobre os “homens sem marca”.Tenho a vergonha bem cerzida na cara. Eu disse a vergonha, não as vergonhas. Porque aí seria uma coisa meio Pero Vaz de Caminha com Hyeronimus Bosch (tipo assim: boca de buceta, nariz de rola; ou tipo assim coriza de buceta, cu lacrimejante, cago pelos olhos, peido pelo nariz e tenho corrimento na língua; ou tipo assim kafkianamente não tenho porra de barata; não ia ficar legal).
Conto: Eu sei (Eliana Pougy)
Música: Inertia Creeps (Massive Attack)
Clipes: Asas do Desejo (Wim Wenders) e Dança do Ventre (Rachel Brice)
1. Seja bem-vindo
ao Triângulo do Sol.
2. Todo homem de bem
deve ter
ao menos um
revólver (proteger-se
contra suas propriedades &
avançar
contra seu renome).
no fim do corredor, daí
vomite no mictório
(e se eles não sabem
o que sentem?)
se ninguém disser os nomes
ainda assim o nariz
distinguiria
(no Hades), covarde.
4. A vaga
é do Marlon (ex
oesqueleto, exponha-
se ou tenha um ataque
de nervos).
Prometeu melhor:
um ataque de neros.
enigmas não passam
de engenhosidades
post-barrocas
Gessy-lever
ou se revolver em
arcanos de horoscopia,
vida privada
de sentido:
a potência está contida
na palavra Não.

Será como se nem mesmo você
Soubesse mais a sua voz
Depois de semanas no experimentalismo existencial
Da solidão
(Porque solidão
Também é experiência,
E das mais radicais).
Será como o primeiro erro inviolável, a origem
Que sempre está aí, no seu jeito de tremer as mãos
De falar como um big bang se explodindo
Pra dentro,
No andar de marionete
Com alguns fios cortados.
Será como se o comandante decidisse usar de uma vez
Por todas
As armas disponíveis, todas,
E elas fossem infinitamente destrutivas
Será como se fosse assim
Depois que você tiver nascido.
Será como uma guerra perdida
Ou vencida tanto faz
Cada explosão se prolonga na outra
E esta na outra e esta
Seria definitivamente a marcha da história
Se você tiver destino.
1. Um jogo de cartas embaralhadas e distribuídas pelo Azar.
Aqui, neste mesmo hiperespaço, padece mais um
Herói das letras
Internéticas (vide
O herói como homem de letras
Op. cit, Thomas Carlyle):
Educador, postura ereta
Impressor, rolo
Compressor
Impressões da opinião pública
Bem aqui no
Meu teclado (tecalque):
A glória é tão perto
Quanto um click neste mouse.
(Milhões de leitores disponíveis
Milhares de milhões de ratos comendo
Os cartéis do último prêmio
Sou tão esperto quanto a burrice
De vocês, ó triste decadência
Dos meus tempos –
Dos meus templos – sempre
É tarde demais:
Late – Template
Termópilas –
Meu querido Trocaudilho!)
Quero meu diploma
Criativo
De escritor da Uniasnos
Useniños ou Fafodeu
Até atingir
A lucidez do texto
A invenção jamais
Vista e ante
Vista:
Sendo’s: o neo
new, nil, sem
Esquecer o trans
Heideggeriano (o ônibus
Grená)
E a vera contribuição
À cultura nacional
Tão carente
De si mesma (yourself):
Contra a falta de ética!
Contra a extinção do boto-cor-de-rosa!
Contra os fungos dos esgotos!
Contra o mau uso da língua-de-sogra!
Pela consciência
Deslavada!
Comentador, comentarista
Parteiro de resenhas
Plantado ao pé da letra no
Senso estrito, no senso crítico
E no bom senso
Comum
(Resumindo:
Tudo é comments)
Aqui, onde tudo planta
Genialidade a rodo
Se dá a luz
Ao germe
Do novo mundo
Que se obsta (medra?
Reluzente azul
Das boas causas:
Até pode ser no espaço
Desde que em branco
E mais-valia
Informativa bem
Calculadinha.
Mas tem que ser
Eu mesmo, este
Que vos fala, o
Gênio, genial, pro
Genitor, geniota, genistáculo
Genitálio e general.

Me flagrei pedindo a ela pra me explicar aquela música, “gostas mais dos elefantes do que de mim”. O principal com os elefantes é que eles são completamente inofensivos, apesar do seu tamanho. Daí as expressões que falam de elefantes pra descrever situações de pura perplexidade.
Desde a invasão das legendas publicitárias (o teu amor é como um fosso que me cerca de beijos trocados num dia de eclipse, a essência da vida está brega), não há mais pureza (aquela pureza que feria e nos fazia pensar em mensageiros nas vidas passadas) para as palavras amor, esperança, amizade, flores, alegria, luz, fogo, verde, revolta, perdão, solidão, liberdade, etc;
mas arranco esta esperança agora da minha boca como se ela estivesse cheia de agulhas luminosas. Por favor, aceite estas flores e se depois delas nada for dito entre nós, seja em agradecimento ou em análise crítica sobre a situação desbotada das pétalas negras que proliferaram pela sua casa, pelas ruas, quem sabe ao menos elas (as flores) se salvem.

o cérebro pode
processar 400 bilhões de bites
de informação
e usamos apenas 2000 bites
o que é a realidade?
apenas uma das inúmeras
possibilidades
de nossa percepção
do real
a mecânica quântica e
o espiritismo
são congêneres
somente podemos trans(agir)
pela nossa intenção
de.
fazer algo.
Movimento da Consciência.
Na década de 70 no Brasil
um grande movimento foi
a tentativa espetacular
de transformação da sociedade
Cibernética Social.
se percebêssemos a matéria
que nos reveste e nos forma
saberíamos.
somos o
Uno.
Eu e Jack
Deuses
Caçadores
seu Zen-budismo
meu catavento
e minha
lanterna
nas águas.

eu
ainda com aquela imagem
da garota de 19 anos, lindamente puta
e Jack com Tristessa, Esperanza
os cabelos negros rolando como cascatas
e ao final umas nádegas de jade
e naqueles minutos num quarto fétido
(mas com lençóis limpos)
fui feliz com seu sorriso juvenil, mistura
de índia e japonesa, dita apenas
"Bruninha", não era do México nem Livramento
era do PR, e eu me lembro não sei porquê
de Ginsberg, velho Ginsberg tímido & louco
Malest cornifici tuo catullo
chorando apenas uma lágrima
gris e estriada
vai mal, Jack
vai mal
Mister Dantas.
Sou uma coisa meio azulada. E não é porque não sou sua, nem de quem quer que seja (inclusive aquele que escreve), que não trago comigo uma emoção autêntica. Passo levemente minhas mãos translúcidas pelo seu rosto e você pensa que se trata do seu jeito único e pessoal de ver as mazelas ou os encantamentos do mundo. Mas tudo bem. Chamo isso de “minha generosidade”: apagar-me em benefício alheio.
Não me escondo nas sombras que vazaram dos seus olhos. Pense na sombra como um contorno que dá textura real ao Inferno leve e melancólico que te consome. É que pra conversar no inferno, fazer-se entender sobre o inferno, o cachorro e a criança se lambem, resmungam, olham-se fixamente nos olhos. Pra falar no inferno, o cascudo às vezes é a palavra necessária.
Estou aqui muito antes de você nascer, e sobreviverei às suas pálidas ilusões de “marcar presença” no mundo. Pense numa espiral azulada que se concentra num turbilhão. Pense na força, voracidade e violência de um turbilhão faminto, cheio de facas afiadas, que se desfaz aos poucos ou que desaparece inesperadamente. Um turbilhão com todos os nomes possíveis, o seu, que me lê, e também o daquele que neste momento me escreve. Trata-se, você bem vê, de uma leveza estranha: capaz de operar um deslocamento nas coisas com sua palidez azulada (a professora de história explicou um dia: as letras Ordem e Progresso são azuis, como azuis são as ruínas de um hospício abandonado). É uma leveza capaz de ferir, de conhecer seus ínfimos êxtases e de manter-se em perplexidades passageiras. Uma leveza atravessada pela multidão assombrosa de anônimos, apaixonados, caçadores e visionários. E você (te ensinaram este nome) chama o turbilhão de “meu íntimo eu”.
Agora, se você não está entendendo aonde quero chegar, pense na bandeira de uma nação qualquer, manchada com sangue de ketchup, formando uma espécie de tapete vermelho de boas vindas na entrada de um cemitério.
Eu andava por esta cidade que de tão decadente engoliu até os urubus, o sol repartido em sanguessugas azuis.
Não percebia como, mas ia dizendo palavras inofensivas como cardinal ou acará-festivo como se elas fossem nada, como se o esquecimento fosse uma conquista natural, como se a vida pudesse ser guardada num aquário.
As palavras fincavam pé por aí, mas eu aos poucos fui tecendo uma rede (fios iam se prendendo aos meus pés, até o ponto em que caminhar se tornaria impossível). O pior é que novos livros eram lançados, ou então apenas lidos, e as palavras que eu julgava inocentes iam virando nomes de personagens, autobiografias alheias, formando crateras, uma sensação de pedras no estômago de alguém. Eu não sabia, mas depositava armas nas ruas. E isso aconteceu mais de uma vez. Minha inocência se tornou apenas uma alegação desconstruída por qualquer advogado de porta de cadeia (já que não há origem, e sim intersecções aleatórias entre fluxos, os tais “turbilhões”).
Então, me diz aí Oito-Olhos, sobre o pedestal enorme, desporporcional: como se faz uma alma diabólica (a minha, por exemplo)?
O mais gozado é que depois que inventaram (eles, sempre eles) a alma diabólica, ela “pensa que existe” (op. cit. Zumbi do Mato).
Mas se sabe que todo demônio é cria do acaso.
E por acaso ninguém pede perdão.

Num quadro tétrico da dissolução
Familiar
Ritinha chegou em casa escondendo os olhos
(Esqueceu, a malandra, de levar o colírio
Para o “piquenique” promovido por amigos).
Eis a cena (não falemos em Castigo
Seria muito cruel prezados leitores)
Encontrada por esta verdadeira parasita social:
Um vestido estraçalhado
Um amontoado quase irreconhecível
Não fossem as unhas vermelhas
De tripas e ossos
Os três cachorrinhos sorrindo cinicamente
(Detalhe passado pela moça
Mas devido ao abuso da maconha)
Lili esfregando-se no sangue
Keké lambendo os óculos escuros de astronauta.
No quarto
Em estado de catatonia
Um senhor de idade (o pai de Ritinha)
Não queria saber da tragédia.
Mais tarde
A polícia averiguou, detalhe sinistro
Que os cães atacaram
Sob as ordens do dono
(Sim, ó Bento XVI!
O velho era o culpado.
Em sua defesa arriscou uma evasiva
“Não aguentava mais macarronada”)
O carro olhos-reluzentes-onça-paluá
( Com o poeta por dentro
Dos parênteses fumê)
Estaciona, para o gozo das normalistas
Na cabeça do poeta
Que proclama
50 e tantos anos depois
O manifesto inaugural
De um movimento que marcará (marcou)
A literatura brasileira.
O poeta não
Sente, mas os aplausos se quebram
Como vidro em seus ouvidos
Que guardam as vísceras
De um pássaro doente:
Ave do mau augúrio,
Decadência do sonho ocidental
Em solo brasileiro,
Enquanto as normalistas jogam
Bolinhas de não amassado
Em sua fronte consagrada:
O poeta sempre apaga o cigarro
Na coxa da boneca inflável