4/10/2011

UMA PUTA PARA NÓS



















UMA PUTA PARA NÓS

Uma puta
para Cesare Pavese
uma puta para Baudelaire
e uma puta para nós

Um feixe cru
a luz morna e morta
uma negra
para mim e para Rimbaud

Uma puta
para Hemingway
uma puta
para Aldemar e para Daniel

Uma puta
(para elas)
dizem, falam, escutam
toda mulher nasce bi

Uma esperança
uma sombra
cavada
um ralo cheio de fetos

Uma puta
para Lorca
outra para Neruda
uma puta para nós

Uma puta
linda, serena e doce
uma puta que tenha lido
Nietzsche e Freud

Uma puta
que nos escute
uma professora
que enreda e engana a noite

Uma puta para nós
mas que como
nos orienta Bukowski:
lembre-se que nenhum rabo do mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977)


Foto: Prostitutas antigas 1912 por E.J. Bellocq.

4/06/2011

Telepatia inexiste

Telepatia, lá está
Na pequena jaula
De ferro, quando
O sangue é seu próprio
Veneno, telepatia
Não há.

Soro na veia
Canto de sereia:
Contagem regressiva
Sangue sujo de areia
Tirada de velhas ampulhetas.

Jaula alheia
Sufoca.
Unhas no pescoço
Até sangrar.

As palavras são leves
A grade é de ferro
O soro é intravenoso
O sangue virou lixo
Solidão não tem remédio
E telepatia não há.

3/22/2011

Lugar de fala: Hiperbórea

é onde a voz é grito, uivo
é de onde a voz quasefala, canta, hare,
é aqui sentado perplexo à sombra da Instituição, óculos espelhados do Histrionapólogo
é onde o sem sentido não tem muro onde se escorar, deus animal da boca de musgo,
é aqui sob a obviedade oleosa dos elogios trocados como moedas na garganta de defuntos que se preparam pra descer ao abismo solar
é de onde o nada é triturado por dentes metálicos e a fome insaciável
é partindo daqui até onde as palavras sublinhadas pela sobrancelha de OitoOlhos
anjos surfando no vômito bolorento dos faraós
um deus de corpo cheio de feridas fala é como se as palavras saíssem em negrito de sua boca e observado de seu imenso altar como aqui é pequeno diante do abominável dragão de cera que flutua nas trevas mas aqui é o Negro entre as cores o Centro no oceano celeste e aqui a alma não está fraca e agonizante
vade retro Jacaré que vive na moita mergulhado em excrementos com os olhos imóveis querendo comer minhas Palavras
não tenho sangue de barata é daqui todos os lugares todos corações têm seu ponto fraco onde unhas foram cravadas sobre as cicatrizes das feridas reabertas por unhas cravadas e novamente e assim por diante,
falo desse lugar onde as repetições infeccionam
no altar em que a criança foi sacrificada em Bohemian Grove
é onde as paredes murmuram o chão soluça a luz quente lambe minhas orelhas causando profundo asco a cadeira range a tinta geme sobre o papel – essas coisas que têm e voz mas não falam por falta de Firma Reconhecida
ou seria logo ali esmagado na mais ínfima nota de rodapé do mais dispensável dos livros na mais empoeirada das prateleiras da mais decadente das bibliotecas

é no centro do círculo desenhado no chão pra me proteger dos demônios mas os demônios aqui entraram segundos antes de o círculo ficar pronto e estou preso com eles e nem por isso
ou seria na casa da Mãe Joana e Clio mora nesse puteiro e Clio toca guitarra e é a musa da tagarelice e tempo é rumor de cordas vocais arranhadas

Ou quem sabe estou muito longe daqui e sou teleguiado por um grupo de cientistas marcianos subversivos e por isso essas palavras saem como brasa da minha garganta mas não dizem nada não dizem nada nada nada e são o rumor Negro de onde nascerão novas palavras de lugar

algum

3/18/2011

Pássaros nas veias
Tudo que nasce
Deve morrer tudo que morre
Tem que renascer
Para o êxtase, a dor
A nostalgia do êxtase, a antevisão
Da dor –

Medo frutifica conselhos,
Transfusão de luz, gotas
De alegria a germinar
Entre sombrias gerações.

Tudo que renasce tem que morrer
Para o sofrimento, a alegria
Tudo o que existe transborda
Brother, me deixe extravasar.

Meu coração é um veículo
De dores ancestrais
E êxtases: prever
A alegria ainda não é alegria
Antever a dor já é
Sofrimento, brother

Me deixe escolher meus erros,
Errar por aí, com pássaros
Errantes nas veias.

3/15/2011

O vírus do esquizo email traduzido pelo google

Fotos, reflexões arrebatadoras, partes que temos visto
do Caminhão com sua compra. TeaParty, concessionária de questões, pergunta florida: em geral, as pessoas em rede de CicloVital help desk contributo activo.
Em todo o mundo maçãs androides maçãs maçãsbyte mais notícias sobre pizza Calzone ou
Jaguar. Passam rasgando os camponeses temporada na hora do rush com onças de defesa, após a potência do Varejo na temporada anunciada. Alvo: ipad, vender computadores, potência; Alvo: olhar o seu potencial. Alvo: capacidade de resistência inútil, rip.
Enviado: lidar safira.
Não opine llamado DESDE observatorio "nuestras, columna Olympus Stylus computertv e câmera digital”.

3/10/2011

Você anda por aí com seu colar de sanguessugas pendurado no pescoço, você tem que celebrar seu aniversário e tal, ninguém nunca sabe se você está falando sério ou só brincando, é tanto sofrimento no mundo e dar a outra face só piora as coisas, aquela velha canção sobre as armas de fogo, matar bem matado boas almas e armas que são, vamos falar sobre as cobranças de falta do Zico enquanto você desmaia e desce ao inferno, a garota está possuída pelo diabo e morde sua mão enquanto você tenta fazer um sinal da cruz sobre seu rosto desfigurado, um riso amargo de merda na tua cara você fez a tatuagem pra parecer mais jovem, pra isso que servem os amigos, pra levantar o baixo astral, deixe o veneno correr, solte o veneno, as armadilhas foram armadas e você é figurante no teste definitivo da vida ser ou não ser um sapo peçonhento, como vou te encontrar meu amor se o celular pifar, se de repente o número do seu apartamento for alterado, se aquele mágico der um jeito de te raptar & você se lembrar que tudo não passou de um mal entendido, um lento e lúcido foda-se enquanto o pano desce.

3/07/2011

Uma pata da barata deixou um fiapo entre seus dentes, palite-os com uma das duras asas da besta voadora. O que você fez com seu sangue, amor? Segure o vômito na boca antes de descermos do carro. A tremenda babaquice disso tudo. Girar as pedras de coração com os dedos no copo de uísque é ainda mais legal do que beber. E olha que o psiquiatra mandou que eu tomasse aquele remedinho. O desejo é errante. Você entra por aqui, vai, por ali, não dá. Que pena, quando você me abandonar vou injetar asfalto derretido na veia, a revolta está nos genes. Como daquela vez, eu bebia água de coco no parque e acordei dormindo em pé com um zumbi enfiando as unhas nas minhas costas, dei meu sangue de bebida pras pombas nojentas que vêm me visitar sempre que o dia amanhece, elas deram aos piolhos que morrem sobre o asfalto quente: chamo isso de ciclo kármico do resta saber se outro inocente vai se foder com a gente. Eu era tão interessante quando era o centro das atenções, o desejo é satisfação de terceiros. Não tem mais nada, é isso. O Rumor é um deus de inúmeros olhos e línguas. Toda explicação é subterfúgio. Toda teoria é conversa fiada. Só não sei como vim parar no meio dessa baixaria.

3/04/2011

Vai que trabalhar é bom

Na catacumba do lustre brilhante, paredes lodosas, luz embaçada, friocalor de mormaço, as amebas flutuantes andam a repetir nos dentes vagarosos como quem mastiga um bom pedaço de cartão bancário de plástico e envia cartas para além-túmulo: eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, eu, pelo menos, gosto de trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Essas palavras grudadas nos corredores são como arame farpado na imaginação de um poeta com gripe suína, um mantra de tristes duendes endemoniados, um grito de orgasmo de uma sereia que expele metano pelas narinas.

3/02/2011

3. Lua cheia alta noite clara como o fim da madrugada o ponto indefinível em que a tarde é envolvida pelo céu noturno os caminhos de areia as pedras negras azuladas eu caminhava num mundo reconhecido como se um véu cobrisse tudo mas um véu que desse às coisas um contorno com mais brilho e nítido esse azul potência criadora de tudo que move minhas mãos enquanto escrevo à procura daquela claridade escura de azul marinho em lua cheia o fundo brancoazul dos seus olhos movendo nossas almas,

2/27/2011

A irmã siamesa da minha namorada. microconto

Quando eu conspirava com os pássaros bêbados do Jardim Oricellari, a irmã siamesa da minha namorada me fez uma visita. E eu nem sabia que minha namorada tinha uma irmã siamesa. Todo o ônus estético da cirurgia de separação dos corpos ficou por conta da tal irmã. Minha namorada é linda, pele elástica e suave, a sua irmã tem a metade direita da cabeça cheia de manchas vermelhas, a pele enrugada, como se ela tivesse passado por profundas queimaduras. A pupila de seu olho direito é prateada, quando ela fala soa como um dueto desafinado, porque sua voz é estranhamente dissociada em duas. A irmã siamesa da minha namorada se ofereceu para ser minha amante. Nela, eu poderia confiar cegamente, porque o sofrimento e a destruição levariam à virtude. Minha namorada, disse a sua irmã, tem seus momentos de maldade: a beleza leva a um tipo de inocência um tanto perversa. E eu sofreria muito por causa disso. Isso me soou estranhamente a um canto de sereia, ainda que lodoso, sacrificial. Afastei de mim o cálice, despertando para a lucidez do dia. (Mais tarde, descobri que a irmã siamesa de minha namorada tinha chegado no porta-aviões de Noé. Sua verdadeira intenção era bisbilhotar, descobrir como estávamos vivendo, nós, os seres marinhos viventes do dilúvio).

2/21/2011

1. quando eu era criança em noites de lua nova tinha uma pescaria em que o rastro da rede na água salgada do rio brilhava como num sonho ou tela de cinema as pegadas que ficavam pra trás ficavam cheias de pontos prateados brilhantes a noite tinha que ser bem escura a gente chutava a água e cada gota que caía era um brilho a mais será que poderíamos plantar flores na lua você me disse meu codinome é democracia não exatamente você mas na sala escura a tela brilhava a garota vestida de flores no seu rosto o lado esquerdo na sombra o olho negro brilhante o lado direito o olho prateado uma lua mais intensa e psicodélica era a sombra de seu inteiro rosto em minha imaginação,

2. o sol da manhã inclinado sobre a areia até a sombra era dourada os grãos não eram uniformes roídos pelo mar pedaços de cristal do vermelho ao branco ao brilho transparente eu corria olhando o chão eles querem matar o amor o rastro de luz sempre ia além mais rápido areia clara areia amarela seu rosto dourado no quarto azul sob a lâmpada incandescente areia escura multicolorida na sombra dourada as duas metades de um sorriso a brisa a pele salgada de suor de maresia a mais perfeita matéria-prima pra compor sua imagem na memória,

2/18/2011

Inferno de bolso na cidade barroca

Amanhece, por que o céu tende ao vermelho, o galo canta, por que o dia range como roldanas enferrujadas manejando tristes marionetes. Quem beijaria o peixe morto? Somos cruéis e sorrimos com o canto da boca enquanto o peixe agoniza numa gaiola. Nas estatísticas que brotam dos jornais jogados contra a cara violeta da madrugada, nada sobre pesca, nada sobre Oswald de Andrade, nada sobre a Caixa Econômica Federal. O demônio é a mentira sonhada por um animal triste. Os 12 apóstolos eram cães farejadores e serão nossos inimigos pelo resto da vida.
Brisa noturna, chão de pedras irregulares, varanda virada para a igreja, quantos batismos e uma constatação: somos carnívoros, amor.

2/11/2011

Escrito no éter da manhã

1. Caderno de poesia carbonizado no amanhecer em elevada altitude. Nunca vi a dança da minha bailarina predileta.

2. Calor frio da manhã laranja sobre a tinta azul. Alguém dorme na minha imaginação.

3. Não escovo os dentes. Saio pra rua, converso com o porteiro, o chefe, a secretária, o guarda. Gosto agridoce suor na boca que presta esclarecimentos: a profunda irrealidade de tudo.

4. Verde claro, verde escuro, verde pálido alternando-se na planície aos poucos encoberta por uma névoa fina e luminosa, verde azulado e cinza, claro – branco se adensando em novo cinza e azul. O céu é onde a planície evapora.

5. A luz estoura meus olhos – coisas entre espaço. O que alguém está desenhando neste momento.

6. Como uma lâmina corto o vapor, onde o sangue dela circula.

2/08/2011

o que é o presente?

tinha 20 e poucos anos
sabia muito pouco sobre qualquer coisa
mesmo assim
deu todos os passos certos:

os caminhos do mundo não estavam lá
Na chuva espessa
Céu vermelho-apocalipse
Olhos, formas estranhas
De animais marinhos
Quantos brilhos famintos

Você sozinha &
Sou apenas um medíocre
Poeta
Não posso te salvar.

2/05/2011

Pequeno Dicionário das Aproximações

Vida (s.f.)
Sucessão de acontecimentos em sua maior parte desagradáveis – vez por outra alguma ilusão fortuita pega você pela mão, mas fique atento: de fato, cedo ou tarde, tudo se converterá em fumaça, e esta possui como efeito colateral alguma sensação de asfixia, em maior ou menor grau, conforme o porte da ilusão que a constituiu. Se você for portador de uma sensibilidade mais ou menos refinada, irá se sentir dentro de um filme de humor de péssimo gosto, em que todos – atores, diretor, equipe técnica e espectadores – têm motivos para rir, menos você. A má notícia é que tal sensação pode lhe acompanhar durante toda a sua vida. A boa é que o filme acaba junto com sua vida. Há uma outra má notícia (o que não é novidade): o filme termina, mas alguns críticos continuarão falando de seu desempenho na fita – e em sua maioria falarão mal, principalmente porque você não estará mais aí pra se defender. Um poeta alemão metido a entender disso que chamam por alma humana (apesar desta expressão representar uma evidente contradição de termos), muito influenciado pelos antigos gregos e por Shakespeare, disse que é impossível suportar a vida sem duas ou três doses de algum tipo de anestesia. Imagino que ele se referia ao álcool, mas podemos incluir outros estupefacientes, como a corrupção, o ópio, o sexo, a comida, a exploração do trabalho alheio, a TV, a maior parte do que se produz sob o nome de arte, etc. Tudo bem, caso você seja um sujeito de sorte poderá deparar-se com duas ou três flores verdadeiras em meio a este deserto. Flores não vivem no deserto – dedique sua vida a protegê-las, mesmo que o diretor da fita diga que seu papel não tem nada a ver com isso.

TREZE

13

Que fosse um adeus para aquela
mulher rubra igual a uma
exasperação extrema. Afinal,
conseqüência da solidão soleniza.
Então, na sala, torna-se sombria
e jamais perpetua-se. Horários conexos,
reza de amantes. Morre de
si para não ser osso e terra.
Toda a forma exige epitáfio sóbrio
ao Eu oculto. O que dizemos
pode voltar como objeto, ser comum.
Ave na estória da cantoria, destino
ansioso que vem de vidas obscuras.
Se há boca, há grito, o céu é impróprio.

(c. ronald, in Caro Rimbaud)

2/03/2011

deus do azul profundo



deus do azul profundo, pele blues, olhos pétalas brancas que flutuam em águas suaves, não deixe que o sangue coagulado cegue meus olhos, agulhas brotam das paredes, gritos grudados na parede quente, invisíveis multi-armados lançam luz vermelha de mira noturna dança em meu peito, todo nascimento precede morte precede renascimento precede morte renascimento morte, todo nascimento é inesperado e ainda assim rezo, deus que ao mover os braços flui o tempo me ensine a renascer, o vermelho espalhado no chão sob as árvores são pétalas é sangue são pétalas sangue coagulado do meu amor pétalas, a poesia de nada serve é uma ferramenta de que esquecemos o uso mas a poesia rasura a solidão, é uma reza pra você deus inexistente força do tempo azul dos acordes blues das pétalas que brotam vermelhas inesperadas do sangue coagulado vermelhoazul, das palavras que rasuram a solidão como o amor é uma rasura que cobre a solidão e esta reza com cara de rasura faz de conta que solidão inexiste deus,

nós sabemos deus sem-líderes que a corrupção da família nos leva ao inferno por muito tempo, estou no vazio e pedras caem sobre mim, uma chuva de pedras pesadas e ninguém me abraça ela achou melhor que eu abraçasse a solidão deus do vazio-procriador-do-vazio-no-peito das lágrimas películas de água salgada vazias por dentro, ninguém está em casa em lugar algum, programadores de imagens terríveis e canibais o seu nome é inferno, você que testemunha tudo com seus milhares de olhos que transbordam carinho, você que ensina que a tristeza não é boa conselheira, eu repito não quero mais sofrer não quero mais sofrer não quero mais sofrer e me pergunto se isso é digno e o deus me diz: as flores não pedem perdão por encantarem o viajante solitário e ainda assim encantam o viajante solitário o viajante solitário se encanta nas flores e as flores se encantam o que seria das flores sem o viajante solitário flores sem o viajante solitário sem encanto,

mas você sabe deus transbordante a guerra em estilhaços a guerra imemorial e seus estilhaços e somos estilhaços de uma guerra sem começo, por que as noites são tão longas se melhor é o pesadelo diurno, o vazio longo das noites, os estilhaços as pedras que caem num corpo que flutua no vazio e ela preferiu que por hoje eu abraçasse a solidão com meus olhos coagulados de sangue, ela as pétalas vermelhas ela as flores que encantam o viajante solitário ela a mensageira do deus azul escuro,

então me diz deus imóvel é lutar ou abandonar matar ou mendigar e o deus me ensina: a morte é certa para aquele que renasce a tristeza não é digna daquilo que renasce e o deus que-tudo-atrai me pergunta: então você me conhece só por ouvir falar incompletamente ignorante e sábio talvez, a dor manda lembranças e você queria um deus existente e uma poesia com resultados você queria outra coisa da poesia além da poesia não era isso o que você queria desse jeito nem toda água bastaria para a sua sede, a raiva seduz o intelecto com girassol em pó a sede que não cessa e se você não faz nada mesmo assim o inferno age em você e você se lamenta pelo fim do sofrimento, ladrão de flores,

e o deus blues me ensina que é em mim que as flores se encantam mas sem mim as flores me encantam e o deus me diz: você quer o que você já tem mas precisa fazer de conta que não tem para querer, você daria pedra ao seu filho se ele pedisse pão, a perfeição não chama pelo nome a palavra da qual brotam todas as palavras é sem significado a solidão rasura a mente do solitário não há começo último para tudo que se inicia as pétalas se coagulam para que a flor mande lembranças o vermelho dança em seu peito o telefone não tocará esta noite nem só de palavras sonoras vive a divindade aprenda a rezar como quem fala como quem diz ontem senti saudade de você e recebe um sorriso e um silêncio em troca a flor é intocada pelo encanto que ela tece na mente do viajante solitário o sofrimento é feito de ar azul você é azul por dentro o tempo é azul sangue é matéria-prima de pétalas,

cedo ou tarde mas nunca na hora ainda ou rápido mas nunca agora assim nesse descompasso de tempo as coisas são criadas não se renasce na hora prevista e a morte sempre é iminente e acabou de acontecer, quem se apaixona por fantasmas, mas deus me ensine que mesmo do sangue coagulado podem brotar pétalas, não se curam feridas alheias lambendo a própria ferida, quem escreve quando escrevo talvez o amor desenhando a si mesmo ou o inferno agindo por conta própria mas me diga deus das coisas singelas e incomparáveis como ir além das comparações, me faça ver o brilho de tudo no brilho singular de cada objeto cada animal cada planta cada anjo que não se parece um com o outro apesar do mesmo nome o mesmo brilho e como o coração dela bateu em meu peito e como hoje meu coração bate sozinho e ainda assim é o coração dela que faz o sangue circular pétalas em mim porque não estando aqui esquecida da minha saudade é aqui que ela me encanta como as flores se encantam na mente do viajante solitário que diz hoje não amanhã talvez

hoje não quero sofrer deus azul escuro, eu queria poder renascer de um jeito mais duradouro sem ter que morrer novamente para renascer novamente, renascer dói deus dos braços líquidos fluidos como o tempo, renascer cansa e minha dor e meu cansaço eu ofereço ao deus do renascimento azul que me apareceu na forma de um coração alheio batendo em meu peito como pétalas vermelhas que brotam de uma força multicolorida, eu tremo diante do deus blues com seus dentes pontiagudos que podem triturar o mesmo amor que o deus brotou em mim e ainda assim mesmo quando tremo de pavor agradeço, mas deus dos braços líquidos quando ela me abraça é você que me abraça porque ela me abraça com a alma, ela a minha flor azul, não existe a arma que assassine a alma amálgama luz à avessa gravada naquilo que é luz em meu sangue, luzflor

me ensina matador de demônios que mesmo durante a morte a alma fica latente em si, só existe alma gratuita num abraço de pétalas gratuitas a graça se agradece pelo que tem de gratuita cem beijos blues, amor não é ritual e agradeço deus mestre das palavras indivisas cada ato é gratuito e pleno em si que pena daqueles que se devotam por lucro reconhecimento ou descanso após a ilusão do trabalho cumprido, se a poesia e o amor ensinam algo é por meio dos seus azuis braços líquidos o fluir dos dias sem antes ou depois, nem flores são floreios nem agradecer é louvor não há mérito em ser feliz e nem dignidade na tristeza, o caminho inverso dos apressados pressurosos porque eis o pressuposto ter não é reter, o viajante solitário encantado na luzflor se não agradece destino ingrato de ladrão de flores não sacia a sede ao beber água é pecado o que desce por sua garganta, deus que de nada precisa inexiste e ainda assim floresce e assim naquele que medita as chamas da vela pétalas na parede na pele e o mundo é uma inteira flor,

desejo de posse é matar ou morrer e o deus que se entende por música me diz: fazer de conta que nada está acontecendo os afazeres do nãofazer tanto faz como tanto fez prosseguir não é seguir cada ato como se inato ver sem observar falar sem inquirir beijos sem beijos cem beijos, deus solitário também precisa ser amado e se ama quando a amo e ela me ama e te ama no meu amor e seu nome é amor, deus apaixonado por si mesmo em mim e nela quando nos apaixonamos, deus que enxerga sua própria beleza quando ponho meus olhos nela, deus fruto e deus saliva deus que se alimenta de si mesmo, deus fogo que come o ar deus ar que apaga o fogo, deus que acorda quando desperto me ensina a despertar e prosseguir, amar conversar desfrutar florescer caminhar combater resistir escrever sem enredar-me, não a palavrateia a palavrarmadilha a palavramira o bombardeio de estilhaços sim a palavrasemente a palavrafruto a palavrapaladar prometer-se no ato imediato entregar-se prometer sem comprometer-me, dar-se como quem dança dançar-se e o deus superalma me inspira que a mente pode fazer de mim seu jardim tanto quanto a mente pode morder a alma com finos dentes metálicos, egoísmo de cerca elétrica enredando insaciável poder orgulho quantos demônios o coração de um vivente pode abrigar, caridade cheia de dentes e felicidade lâmina fria na alma da cidade, demônios comedores de pedras invejosos da pureza que no entanto habita adormecida em seu próprio sangue, mas

o céu vazio e intocável envolve tudo e assim a alma o amor a poesia e o deus inexistente uma fina camada azul chamada tempo eterno produtor de pétalas, tudo o que se entende por música o que está além mas une dois corpos abraçados o que está sob a superfície mas chama os olhos como um ímã, o amor que está em mim nela e nela em mim mais além e envolve cada animal cada anjo cada planta cada pessoa como a vida é intocável e desdobra mundos quem renasce para si para o amor renasce para tudo, Agradeço deus azul profundo, ela renasceu você em mim deus alma de tudo, ela as pétalas vermelhas ela as flores que encantam o viajante solitário ela a mensageira do deus azul escuro ela luzflor ela,

1/27/2011


Psiquiatras benzedeiros com sal de lítio a tiracolo.
Felicidade a conta-gotas a invenção da anestesia permitiu a inscrição de dores inauditas no corpo esquecimento pra onde vai a memória das incisões atrozes e você ainda sorria está sendo filmado.
Deus andou tomando todas e a criação a ressaca divina o universo é uma cabeça dolorida e o fluxo de forças causa náuseas nos planetas e você ainda assim sorria seus parentes querem foder com a tua vida.
Cidade bipolar e você de qualquer jeito sua mente gira em círculos como um leão enjaulado o movimento do cosmo: anjos tecem teias curto-circuitos placas verdes sem palavras, desendereços, linhas de fuga, não se deixe fisgar, não se limite a subir morro acima a pedra dos delírios heteronomia seus mais profundos pesadelos nasceram de fora numa reunião de programadores e publicitários, a cocacola é uma pasta cinzenta, o dinheiro é a mais abstrata das invenções humanas, a câmera de filmagem é a forma metafísica do poder que esquadrinha a sua carne, pare de rodar em círculos, siga os anjos, uma linha reta (um vôo) quebra o ciclo e todo nascimento é uma ruptura na ordem te(le)(visiva)ológica de Oito-Olhos.

1/23/2011

Haikais para Keroauc/Celebridade

Noite em claro
Consulto o calendário
Frio: inverno antecipado.

Tempo de primavera:
Por que estas folhas
Mortas na varanda?

Conto os dias e conto
Novamente – não fecha:
O frio e sua pressa.

Visitante inesperado
Mãos congeladas
Batem à sua porta.

Ipê desfolhado
E apenas ontem
Brotava o amarelo.

Casa despreparada
Copos nem estão à mesa –
Quem bate à porta?

Latas de cerveja
Entre flores frias:
Decadente, venço.

1/18/2011

Apontamentos de parasitologia

1. Só há uma explicação plausível para o espaço curvo e a matéria escura que, segundo a física moderna, constituem o nosso mundo: o universo é o cu de Deus. Só há uma explicação plausível para a existência dessas coisas meio esféricas que se movimentam sem cessar no dito universo, vulgarmente denominadas estrelas e planetas: Deus está com oxiúros. Se oxiúros é uma parasitose tipicamente infantil, é provável que Deus seja mesmo uma criança eterna e isso que chamamos de céu de anil (quando céu anal seria mais preciso) nada é senão o fundo de um vaso sanitário.

2. Só há uma explicação possível para o fato incontestável de o universo estar em expansão. Para onde? Perguntam os incautos. Como uma boneca russa, o universo é uma lombriga no intestino de uma tênia que vive dentro de uma giárdia que habita o intestino da espécie humana que parasita os oxiúros que parasitam o cu de Nosso Senhor. Quem sabe até mesmo essa criança sem higiene que chamamos de Deus não passe de outro verme, sugando nutrientes impossíveis do Nada e fazendo funcionar o grande ciclo da parasitagem cósmica.


3. O ciclo de vida da lombriga completa-se em apenas um hospedeiro, por exemplo, um departamento universitário, fato do qual deriva sua classificação como parasita monoxeno. O homem adquire a ascaridíase ao ingerir representações de ovos de lombriga em práticas sociais mal-lavadas e retorno da narrativa contaminada. Ao atingirem a nota de rodapé, esses ovos liberam uma larva que perfura a parede intestinal das citações (vide Dr Penico Branco) e alcança o horizonte de expectativa. Através da circulação, as larvas atingem a alma, o coração e a ética do hospedeiro. Nos pulmões podem perfurar a semiótica dos alvéolos e subir pelos brônquios até atingir a licença-prêmio. São novamente deglutidas e, ao atingirem o estágio probatório, dão origem ao verme adulto que chega a ter cerca de 30 artigos de comprimento. Possuem sexos separados e reproduzem-se por orientação cruzada, sendo que os numerosos ovos formados são eliminados com as f(t)ezes. Caindo em local inadequado, podem contaminar alunos e a água que, ingeridos pelo homem, podem determinar o início de novo ciclo. A profilaxia dessa parasitose é feita através do tratamento do pó de giz e pelo cuidado com as letras impressas cruas, que devem ser sempre bem lavadas antes da ingestão.

o texto está ficando grande pro lingua, vou postar as outras partes no vertigemdevestigios

1/16/2011

acredite se quiser

Ela pode não ser quem você pensa,
o seu vizinho, o jornaleiro pode
não ser quem você pensa, talvez só de
leve por dentro leve o que aparenta
a custo (enquanto ‘tudo o que devora
o coração’
grita), o motorista
da van que no engarrafamento arrisca
a contramão, o bêbado que mora
na rua (a circunstância é um deserto
que cobre tudo ou é o deserto a via
única e incontornável a seus pés?),
e até você aí lendo estes versos,
encare o espelho agora e desafie
o que vê: quem você pensa que é?

Outro poema tirado de um fórum de internet. Somos um casal bonito, o problema é que

Antes que perguntem se ele é um cara feio namorando uma mulher bonita não ele é bonito tem um corpo de musculação enfim e eu tbm modéstia a parte sou bonita mas somos bonitos sem ex...agero o que quero dizer é que não há grande diferença proporcional de beleza entre nós o problema é que terminei meu namoro de 2 anos faz uns 2 meses (não gosto dele maiis) nesse intervalo de 2 meses encontrei essa pessoa
ele me trata SUPER BEM como um homem nunca me tratou ele pediu pra namorar comigo sábado e eu aceitei =) mas ele tem um nariz enorme sei que não devo me importar com isso mas estou muito mal pois ele vai me buscar na escola e finjo que não o vejo pelo fato do nariz ser feio (sinto que eu gosto dele) o que vcs axam que esta acontecendo se eu continuar a fazer isso ele vai ficar mto chateado comigo ele ja desconfia pois toda vez que vai na minha escola me buscar fujo dele e ele vê que vejo mas não me chama o problema é que meu amigo diz que eu sou feia eu fiquei com dúvida pois as outras pessoas (principalmente as desconhecidas) dizem que eu sou bonita vou dizer como eu sou e alguém me dê alguma opinião tenho 1,70, peso 70 quilos teno o rosto delicado olhos grandes (parecendo aqueles do gato de botas do shrek) minha boka é normal e meu cabelo é cacheado e comprido meu quadril na minha opinião é largo mas é do mesmo tamanho dos ombros e minha cintura é fina minha pele é branca (até d ) meu cabelo é castanho claro e os olhos são castanhos e ele diz que eu sou gorda meu rosto é feio e etc será que isso é ciúme? algo parecido com um ciúme fraternal o problema é que sou paulista e me mudei recentemente para o Rio e meus amigos vão vir no proximo fim de semana em casa só que eu to namorando esse cara sarado que é gordinho e feio e se meus amigos souberem eu to fudida como faço pra terminar com ele sem magoá-lo áte meus amigos irem embora pq depois vou querer voltar com ele pq gosto muito dele o problema é que recebi mensagens de mulheres norte-americanas através de um site elas são lindas! não consigo crer que realmente possam estar solteiras e ainda por cima sem namorado em tempo: não "nasci ontem" e sei que existem mil e uma falcatruas na internet acho que posso me considerar "macaca velha" nesse ramo todavia os perfis delas parecem ser autênticos de pessoas reais nada forjado seriam reais? o problema é que o amo mto, mas as vezes nem o beijo por causa d tal problema como falar fede mto carniça pura msmo os dentes dele são limpos e escovados nao sei d ond vem tanto fedor o problema é que ele não devia ter xana mas tem e a xana dele ta muito fedida as pessoas que estão perto percebem... eu odeio é um cheiro de h2o oxigenada muito forte e tem um corrimento branco pastoso ela está depilada ele lava bem já usou todos os tipos de calcinha já passou um dia pelado no meu quarto td começa bem até desce o corrimento e depois de um tempo fica aquele cheiro e o New Englands Journal of Medicine trouxe na capa de hoje uma reportagem sobre pesquisas realizadas por cientistas da Universidade Johns Hopkins que mostra que sexo oral pode ser mais perigoso para a garganta do que fumar ou beber o problema é que e eu sou uma pessoa mto sensivel e isso me magoou muito ele gritou por motivos fúteis nesse fds viajamos para a casa de amigos e na volta perguntei por qual caminho a gente ia, ele gritou " NÃO DISCUTE E VEM LOGO " o que devo fazer ? o problema é que o pênis dele, esse ele devia ter mesmo e tem, também fede muito principalmente depois que ele malha e ele tem o corpo malhado e ele pede que eu faça sexo oral o que faço tenho nojo o problema é que ele tá meio gordo tá com pneuzinhos o pêlo disfarça mas ele tá engordando e ele fica pedindo comida, muito mais do que o recomendado, e quando eu recuso ele faz aquela cara meiga e começa a miar o problema é que ele me disse Vc deveria estar feliz que tem condições de ser assim do que ter síndrome de down câncer um olho só Deus te abençoou não se julgue por algo que vc não é não se transforme um monstro por causa da mídia eu me transformei num monstro porque comecei a julgar a aparência das pessoas e perdi amizades verdadeiras e só me restaram as outras falsas antes só do que mal-acompanhado o problema é que eu fico me sentindo um pouco triste porque vejo passar na praia e em fotos de orkut homens lindões com um corpão e depois não é esse corpão que posso olhar todos os dias só para mim e eu chamo ele de Gatinho , lindinho , mor , morzão , principe , rei , paixao , amor , amoréku, minha vida , amorzinho , felino e por ai vai tem mtos o entanto com o passar do tempo me aceitei larguei do cavalo estupido que me trocou por uma esquelética,(já que eu nao era mais tão magra) e comecei a ficar largada e cheguei nos 70 kg mas eu estava bem saia muito tentava me cuidar malhar sempre fui bonita e tals com isso foi a pior humilhação de alto nivel que eu ja tive ele me chamou de Baleia Flacida sem pentelhos (Esse o meu primo disse ao colega dele) cérebro de minhoca velha. ***** de gambá com vômito de cachorro o problema é que outro dia só pq soltei um pnzinho ele me chamou de porca gorda pobre desgraçada cuspiu em mim (literalmente) e disse que tinha interesse na minha irma depois veio chorando dizendo que me ama que que eu faço? o problema é que meu namorado faz um grunhidos e grita muito na hora do sexo eu acho bem mais excitante só aquela respiração? ofegante! não é normal ele grita tanto que parece que tem alguém matando ele o problema é que é ele um macho e ele tem 44 dias, ou seja é super novinho! e outro dia eu vi as fezes dele e estava com dois ''vermes'' brancos se mechendo, achei muito estranho, e agora ele não é muito novinho para tomar vermífugo? agradeço desde já eu ostaria de obter ajuda: ele anda abatido e sem apetite e notei vermes compridos saindo dele.

1/14/2011

Poema tirado de um fórum de internet

Segundo a metodologia do poema tirado de uma notícia de jornal, do M. Bandeira. Os textos não têm autoria, muito menos minha. Deve ser a tal da "fala rude" do povo. Solidão ou nãoseiquê internético, pirações amorosas da post-modernidade. O poeta, já dizia Baudelaire, é um catador de lixo.

1. ela namorava com ele mas ela brigou com ele e eu comecei a namorar com ela,aí eu briguei com ela e ela acabou comigo pra fikar com ele,eu não conheço ele e ela me diz que ele é aquele e aí ela voltou pra ele e aí ela tomou naquele canto e eu fiquei sem ela naquela e ela ficou sem ele na dele agora ela tá com eu mas ela tá gravida dele agora ela tá com ele por dentro da pele e eu fico naquela com ela e com ele e outro ele ou ela na barriga dela e coisa que é dele e que não sou eu...me ajuda garela?

2. ‎Minha ex-namorada me traiu com vários amigos, fiquei sabendo através dos amigos, ela sempre dizia que me adorava e tudo...eu ajudava muito ela, conselhos, apoios, estava sempre ao seu lado, fui bonzinho, mas com ressalvas, respeitava e levava ela a sério, quase todas as vezes. Depois de um tempo, toda hora que eu queria ver ela, ela dava desculpa que não podia ir, ia sair com os amigos. No começo do namoro era diferente, ela demonstrava gostar muito de mim, depois começou a me enganar, ao ponto de tirar sarro de mim diante dos amigos, e dizendo que eu era o "Porto Seguro" dela e saia com vários amigos, ao ponto de passar vergonha perante os amigos.Ela é sonsa, mostra que é certinha e tal, mas no fundo nao é nada disso e conseguiu me enganar em partes.

3. Desconfio que meu namorado me trai pelo MSN como agir? ele entra em choque toda vez que quero vê o MSn dele, fiz um MSN falso para pegar ele e fiquei chocada com o que conversei com ele mesmo não sendo eu como agir!!!!
Ele fez sexo virtual comigo pelo msn e não sabia que era eu!!!

4. Bom, eu estou namorando a 4 meses com um menino, eu sei que ele gosta de mim e pá, ele já chorou por mim até ficar com os olhos vermelhos, mas o único problema é que ele fuma maconha, eu já fui com ele algumas vezes, mas ele é viciado, ele diz que vai tentar parar e eu digo ''Tu só fala e não age'' e é realmente isso que ele faz, eu gosto dele também, mas tenho medo que daqui uns dias ele possa me trocar pela maconha. e esse mesmo namorado ainda me magoa me chamando de burra isso pq estávamos saindo de um shopping e ele foi escolher a saída onde andávamos mais e eu fui falar q onde ele optou sair era mais distante e que tinha outra saída mais perto aí ele falou assim q era a msma distância nem mais longe nem mais perto q a distancia é a mesma eu falei que não que nem que fosse um pouco mais perto era mais perto a outra saída que ele escolheu a distância mais distante mesmo que fosse só um pouco mais distante e eu disse de novo "Tu só fala e não age" e ele q eu tenho q por minha cabecinha para raciocinar foi por isso q ñ passei em Mat. financeira então deduzi lógico q ele me chamou de burra.

1/13/2011

CASSIOPÉIA MORTA (te escrevo)















Quando viras de lado
e assoma,
nua as tuas costas
                      entre suave e brusca

te beijo às vezes
          e outras a insanidade
de te esfaquear.

sangue de estrelas
   e um sol calcinado

não me venhas
dizer
que levo muito tempo
para escrever

ainda ontem eu não
tinha nada
para fazer

não tenho muito tempo
para
continuar morrendo .........................................

1/07/2011

pay-per-view


fotografando as impressões que o mundo
deixa carimbadas no ar
quando passa, as imagens
agora giram junto com ele e parecem
uma forma de erradicar o sentido,
um quebra-cabeças delirante
de nem tantas peças e resultados
infinitos, todos falsos, daí
porque você tenta se agarrar ao ar
quando o chão desaparece, mas não
são toneladas de lata, vidro,
plástico e combustível alçados
aos céus que
disfarçam o real – e o real, agora,
o que é?
Nem quando você dorme você desliga. Um fio de arame entra pelo seu nariz e usando a respiração como ferramenta prende a sua fantasia, uma desgraçada marionete ligada em

patas de aranha manipulam os fios

de sonho pegam a ferrugem do arame farpado

é o inferno da viagem astral: você é um astro de chumbo movido por uma imaginação pegajosa como ferrugem

nas patas de arame manipula os fios ou os fios manipulam as tais patas, meros fantoches dos seus baixos desejos de (auto)

sabotagem, é o inferno na realidade, realidade é

eufemismo de inferno e sonho prescinde

de eufemismos, quem sabe a luz fria

desoxidante da manhã.

1/04/2011

o silêncio do mundo


Nem música das esferas, nem pró-
digo canto de algum absoluto
romântico que com seu manto tudo
prende nas grades do sentido: só
o silêncio do mundo acompanhado
de um ruído de fundo que ensurdece,
ou mais, desvia qualquer um que quer se
manter a prumo, lúcido, no passo
certo rumo ao real, seja deserto,
horror ou o enorme peso do nada
se movendo na tela que embaça
o senso, iluminada, e com seu estrépito
anuncia a mais nova promoção:
você se fode à vista ou no cartão.”

1/03/2011

traições

Que nome dar a essa aparição?
Aparição? Sereia? Alumbramento?
Que deus nomeia as coisas no momento
exato em que emergem, vivas, do vão
de antes do tempo e dinamitam no ar
estopins do sentido? Desencontro
marcado, espelho de reflexo esconso,
campo minado em que vai tatuar
sua fúria este demiurgo, mestre
da injúria, da mentira e da traição,
os nomes e os seres, sempre em vão
encenam seu balé como um desastre
anunciado e eu – vendido - meço
lapsos no biscate incerto dos versos.

1/02/2011

Como um vento forte
E frio
Pode ser tanto uma presença
Quanto ausência:

(A janela é uma membrana entre a cidade e meu casulo, as persianas se agitam e o mundo invade minha escuta e minha pele: dois sinais incoerentes, o barulho e o peso do ar, dando a entender que, neste momento, a vida passa)

(o vento, simplesmente, não quer dizer nada enquanto permaneço em estado de paralisia, à espera de)

O vento forte e frio
Comprime meu corpo
Por fora, por dentro
Da garganta
Mãos invisíveis
Sufocam meu corpo
Que respira.