6/30/2009

Manchete reveladora da FSP

Sapo não esguicha veneno de propósito, diz cientista.

Na antevéspera de sair

Gato se esconde no lençol –
O medo dos ecos
Que agora moram na sala.

* * *
Os ecos chegaram primeiro
Os ecos serão os últimos
Depois da luz apagada e da porta –

Trancados por fora.

* * *

Sala branca, território
Livre para os barulhos da rua:

Gritaria de ecos na sala vazia.

* * *

Gato se esconde na mala –
Conversa de ecos
Na sala desabitada.

* * *

Onde o gato se meteu? –
Ecos conversam
Sobre o medo na sala branca.

* * *

Gato e ecos trocam
Idéias sobre o vazio:
Luz apagada, sala sem móveis,
Mala enviada como relíquia
No caminhão de mudanças.

* * *

Na chegada eram dois
Gatos e oito ecos, na saída
Um gato a menos e quatro
Ecos a mais.

* * *

Gatos se tornam ecos
Quando morrem na cidade
Vazia, ecos são guardados
Nas malas, como relíquias.

Nas malas vão vestígios das salas, vazias.

6/28/2009

Vista sobre a cidade, sem horizonte

Você morreu um pouco, mas não choro
porque a agonia foi minha
e lenta
ainda desfolha, cínica, imagem
por imagem como um atirador
de facas mirando o espelho
até riscar na superfície
do corpo as palavras
mais duras
do real.
Antes não, do oitavo andar à frente
uma névoa, neblina espessa, bruma
tomando de assalto e sem pressa
o espaço todo enquanto
olhando ao fundo o rio de asfalto
desejava o salto até perder-me
no curso opaco dessa lama negra onde
as coisas permanentemente vão,
pra sempre vão
sem volta, desejos
desencontrados – confessar
que desisti, impossível ir
além da margem onde homens
e mulheres andam à deriva
porque pensam, olhos sobre imagens
nos espelhos, nuas, imagens
em camadas que nunca deixam
ver o que por baixo grita: você morreu
um pouco, me sento
a seu lado e converso
com a outra
parte.

6/23/2009

O blues da patricinha visceral

Tudo é testemunho no universo
Da patricinha visceral, o seu umbigo
É o próprio umbigo
Do real.

No shopping center, quando
A patricinha solta
Veneno sobre a arte de comprar
Sapatos
É como se Tutankamon
Dissertasse sobre as virtudes
Da morte
Nas profundezas de uma pirâmide –

A patricinha visceral
È o melhor remédio
Contra as mentiras de amor
Gritadas nos autofalantes das lojas.

A patricinha observa o shopping no prisma
Da arte de ver com olhos
Críticos, seu cinismo é o antídoto
Às pretensões neohippies
Da mercadoria.

Na verdade eu até curto
A patricinha visceral, ela me ensina
A ter raiva e me odeia mas com uma curiosidade
Ambígua
E seu cuspe cítrico
É melhor que milkshake de ovomaltine &
A frieza do olhar que esvazia
Os balões em forma de bichinhos
E corações sob as lentes
Intensas dos óculos de astronauta
Que brilham como um copo de vodka
Azul, tudo como num velho blues, estilo

Baby, fix one more drink.

6/19/2009

Oito-Olhos ataca de Cretinélio e

"A regulamentação inexistente é omissa quanto aos documentos exigidos para a petição que o senhor apresenta. Documentos, estes, também inexistentes, os quais, portanto, só podem não conter as informações que não sabemos se são necessárias porque, obviamente, a regulamentação não pode ser encontrada. Com tal grau de omissão, o regulamento e a documentação só nos levam a uma conclusão: a de que qualquer conclusão não será válida, por ser, ela também, inexistente. Mas não temos nada contra a sua petição sem fundamento. Só não entendemos o motivo da urgência: por acaso o senhor viu algum coelho entrar em alguma toca e por isso acredita que caiu num mundo em que toda negação é denegada, não redundando numa síntese mas numa nova negação renegada? Ora, precisamos de tempo para encontrar os motivos inexistentes para respondermos negativamente à sua petição que vemos com bons olhos (os olhos imateriais do espírito que não temos, porque somos materialistas, mesmo sabendo que boa parte do que consideramos matéria é, de fato, vácuo). Assim que acharmos os papéis que se encontram guardados em não-arquivos, que conferirmos as desinformações inencontráveis nos documentos que apenas antevimos com nossos olhos incorpóreos voltados ao porvir (o não-aqui e o não-agora) poderemos dar seguimento à nossa impossibilidade de opinar sobre o assunto. Salvo disposições em contrário."

6/16/2009

Cretinélio, primo do Conselheiro Acacio & inimigo mortal do Absurdo

A partir de agora, comentários anônimos e
desaforados vão se tornar uma forma
de colaboração ao blog. Estamos,
eu e os xingadores, compondo
um personagem tipicamente internético:
Cretinélio, o inimigo mortal do Absurdo.
Dessa vez, até pra manter o caminho iniciado,
optei pelo método do Fazer o Texto Falar, que
como todos notaram pode ser usado com discursos de
personagens, codinomes e/ou pessoas de carne e osso.


O bordão do Cretinélio, por enquanto, será:

Quem nunca fez uma cretinice anônima que atire
a primeira pedra.


Eis a primeira fala do nosso personagem:




Não... num entendi? Meu... uma certa?
Um REALMENTE tão grosseiro com
O olho gordo da Vila Bad.

Você é um burro equívoco mesmo.
Você, posar de satírico?

A vergonha na base do gênio
Sou eu,
Ou o caramba anônimo não dá.

6/12/2009

Boletim de Ocorrência






a minha navilouca se perdeu

Acontecimentos da USP, na análise do Prof. Chapadonildo

O método de elaboração e mesmo os marcos do "raciocínio" do Prof. Caralhovaldo já passaram por aqui.


Os professores combatentes ilegais venceram, além de serem derrotados.
Seus comandantes marxistas, êxito em situação inferior.
Soltavam essa conseguindo virar os policiais da Pátria da Guerrilha.
Voluntários vermelhos fortemente em combate respiraram melhor o brilhantismo do progresso.






Logo, quando os perigosos cercaram o ambiente, bravamente, a batalha coube
aos Subversivos Públicos. A ação dos perigosos e derrotados combatentes
foi se refugiar no território da bravura. Agradecemos à a sagacidade dos comunistas que, pouco a pouco, capturaram a educação muito forte dos soldados emocionados.





Parabenizamos, como grupo de representantes da bravura, os patriotas
das Verdadeiras Fileiras Suíças. Homens de tenacidade ímpar na defesa
do menor número, para poderem espargir prosperidade. Quais?
Bons aos inimigos, que apesar de soldados guerrilheiros, já começaram
a obrigar ao armamento à brasileira. Resistiram sitiados em fuga, em plena
baixa econômica. Eram mal armados mas lograram à Força o assalto altivo.
Tomados de Ordem, na extrema galhardia Pública. Líderes em quantidade comunista,
havia os guerrilheiros de São Jogo.







Bom para o meu Pau, tentar à força o mesmo com o núcleo, o feroz
Elemento, a dedicação ao grande triunfo, a luta em grande graça, o pum que defende
a Lei contra os Comunistas e mesmo lá os atos de lealdade a São Ar.

6/07/2009

Psico Tio Sukita

ela reclama os restos de inocência
guardados na bolsa
como lixo reciclável –

sob a luz seca
de uma cidade amputada
por estradas e pela natureza
do cerrado –

e eu me explico
eu, o demônio escondido no bolso
do homo sapiens

como eu poderia ser normal
querida
debaixo deste sol de sanguessugas
se há tempos respiro o bolor
de papéis velhos e meu sangue
é verde-musgo, como a lama
de um poço inventado por Poe.

só me resta a esperança
de não ser inofensivo,
deixa de lado a reciclagem
e vamos fazer
um jogo dadaísta.

5/28/2009

Resenha de A Bolsa e a Vida de Le Goff, segundo a doutrina do Acaso Objetivo


Na parte inferior do cérebro, na região que a ciência denomina de estriado, reside o vício financeiro do jogador que se apaixona pelo risco. O estriado, ao provocar ondas de calor que sobem pelo intestino do seu proprietário, também indica a presença da buceta mais desejada de uma festa, razão pela qual o indivíduo que tem o estriado volumoso geralmente acaba se acasalando com jovens advogadas, não importa quão escrotas. O que este tipo de incauto não sabe é que do estriado sai um canal invisível que, descendo pelo cu, faz uma ligação direta com o mais profundo dos infernos. A jovem advogada com quem ele contraiu matrimônio, por ser ótima defensora das moedas que ele insiste em não devolver vomitando, terá que passar o resto dos dias definhando ao lado de seu túmulo, orando interminavelmente, prostituindo-se para os imensos fantasmas dos banqueiros culturais. O coitado somente então entenderá que aquela incômoda ardência em seu rabo não era fruto de prosaicas hemorróidas, mas sim um presságio de que ele teria que passar a eternidade sentado num chão abrasivo, sob uma sufocante chuva de fogo.
Hoje mesmo eu conheci uma dessas jovens e infelizes senhoras. Ao passar pelo lúgubre cemitério mais conhecido como Procon, uma voz me intimou a entrar num de seus mausoléus (o pertencente à família de mafiosos Nossocaixão). O lugar fedia a miojo misturado com guaraná Mineiro. A moça mais parecia uma velhaca decrépita enquanto me convidava para ser seu companheiro de refeição. “Ela deve estar querendo dividir com os pobres o dinheiro conquistado de modo sórdido por seu marido”, pensei. Porém, saí dali assustado quando a vi tirando o prato de dentro de uma daquelas gavetas onde se guardam defuntos. O prato estava cheio de sapos e serpentes, que pelo fedor deviam ter sido cozidos no enxofre.

5/25/2009

nº 94





Corpo, labirinto
entre você e o mundo, perdição
de todos os sentidos, um
a um estendidos em seu limite, tantos anos
buscando a saída pela imagem
de que dentro, mais
ao centro, arde
o que encerra o labirinto perdido, miragem
que pulsa, corpo, sobre outros
labirintos, pedra, asfalto, areia,
carne, pensamento
sem a chave do mistério, no distúrbio
de não ser, além
de si e aquém,
algo mais que estas paredes
nuas e sangue e nervos
com o vazio
ao centro.

(das "Notas Marginais").

5/21/2009

Noturnos (uma letra de música)


NOTURNOS
(Fred Martins/Aldemar Norek)

se uma noite não tem fim
nem promessa de luar
e se o corpo não sentir
quando o mundo lhe tocar
ou se as coisas sem saber
dormem fora de lugar
e lá
você
ficou
sem sonhar

avenidas e sinais
outro clipe casual
paisagens são vitrais
estilhaços do real
que não colam nunca mais

e lá
por sobre o mar
hoje a noite sem estrela
só espelha os olhos dela
longa noite sem estrela
vela os olhos negros dela

(p.s. segundo o Fred, a música é um maracatu. Não sei não.....Mas é uma melodia muito bonita).

5/15/2009

Google traduzir esquizoide

21 St Century Schizoid Man, King Crimson, traduzido pelo google:


Cat's pé ferro garra
Neuro-cirurgiões gritar por mais
Na paranóia veneno da porta.
Século XXI esquizóide homem.

Block rack arame farpado
Polititians' pira funerária
Inocentes violadas com napalm fogo
Século XXI esquizóide homem.

Morte sementes cego da ganância
Poetas' crianças sangram
Nada ele tem que ele realmente necessita
Século XXI esquizóide homem.

5/12/2009

Conciliábulo

Mas porque eu deixaria como rastro
O amor que você,
Cobra me cobra pra
Amar como quem anda armado
Ou se armadilha em

Deserto, desterro ou arquipélago, se
Em sua ilha de amigos belicosos

Rastejar se oferece no cardápio frio
Entre seus perdões de chumbo
Pelo que você não tem, alma –
Ulcera engrenagem vazia, concílio
Devorador de sangue, vômito
Inodoro que o amor desmente,
Ou repudia.

5/06/2009

Meu rito de passagem

O rito: presentificação ou transposição do mito?
Mito de origem?
Meu rito é a transposição do complexo de Édipo em várias instâncias?
Ou simplesmente uma etapa crucial no processo de autoconhecimento?

Transformação, superação, modificação ou apenas externalização de um “eu’ dormente?
Sou quem sempre fui; sou a junção do “eu’ com o “tu”; sou o “nós”!
Que saia o indivíduo! Mas que o indivíduo se esvazie, e que o “nós” prevaleça!
Nenhum homem é uma ilha – que o “eu” fique cheio do “Nós”

Hoje realmente sou quem sempre fui
Na interação com o “tu” meu “eu” surge, todavia o “nós” prevalece!
Feliz do povo cujo “nós” prevalece sobre o “eu”
Feliz de mim!

Cogito ergo sum
Homo lupus homini
Post Tenebras Lux
E na coroa de Louros – Laura; na interação do “eu” com o “tu”, me torno quem sempre fui.
Enfim, depois de um curto tempo na escuridão, a luz surge das trevas!

Meu ritual de passagem foi o Amor;
Um amor que me sorriu numa tarde nublada de domingo
Um amor que, advindo apenas de uma troca de olhares,
Revelou-me que o deserto havia passado
Linda-Loira-Laura – coroa de louros para o perdedor-vencedor
Perdi certezas; ganhei paz e esperança.

5/03/2009

Para não morrer da verdade


Eu ele você os carros
E a santa aureolada
A noite de tantos se foi
Aos pedaços
Nada sobrou
A não ser a mão - na minha
E o travesseiro de pluma
Azulado

Paineira: entre minha presença e minha saudade


A linguagem das paineiras

Para Igraine com saudade

Passado treze dias de marcha ruminesca
em direção ao nada, ao vazio e a mim
em viagem rumo aos centros de mim, da terra e do universo descentrados

universos translúcidos de der vi ches loucos: tempos loucos!

Um dos universos distinguíveis por seu silêncio fraternal
universo não-universal que desponta no poente e na aurora
universo de meio-tons
tonalidades que tocam as sensibilidades escondidas e perdidas
tesouros...

O amor na vertical da horizontalidade
E na verticalidade do horizonte

Fuga de horizontes nas descidas luminosas
E nas tonalidades ascendentes que surgem, brotam e se vão como uma suave música

Eis que chego em minha varanda
E sou presenteado
Entre árvores, plantas e folhas em 13 dias floresceram
Rosas meio-tons no caule e nas folhas de uma paineira solitária

Uma beleza nua e silenciosa no meio do sertão
No vale do sertão
Por apenas doze dias elas ficarão:
perecerão então:
deveria restar um botão?
E minha lembrança: eterna memória!

Fui brindado com o roseado caído
De uma majestasa paineira
Flores que brotam do nada
Flores que brotam das profundezas seivadas por pouco Tempo

A espera do vento e do Tempo
Para lentamente, pacientemente e docemente
Caírem: beijarem o chão
E nutrirem a terra para desabrocharem daqui um novo Tempo

A espera da minha contemplação
Da minha parca capacidade de ver, ouvir, tocar e sentir
Por instantes permaneço frente a ela e a vejo, sinto, escuto e toco: paineira solitária do sertão

Quantas flores caem por dia?

Gostaria de morrer e renascer
A cada instante, a cada cair das folhas da paineira que vive para bilhar o azul do céu
A esperar a esperança de penetrar na dança
Das folhas que brotam e caem
E no balé das folhas verdes que dão o tom perene do que fica no tronco e na raiz

Raiz sem rumos: rizoma de flores a bailar no céu
Neste instante silencioso busco o silêncio solitário da paineira do Ser Tão

5/01/2009

"sinto, logo sou"

Cogito ergo sum
Era esse meu lema: penso logo existo
Ledo engano
Coitado do Descartes... não sabia de nada!
Que se dane se meus sentidos me enganam
Sinto, logo sou!
Sentio ergo sum!

4/26/2009

Sentenças e Máximas de Oito-Olhos)

Em parceria com Álogos. Além de outros parceiros, muitos, estes involuntários. O bigode é a sinédoque do pessoal, pra manter o lance professoral... Fora isso, nada aqui é inventado. E aí, e isso falo só por mim, isso tudo me lembra a segunda melhor música do Raulzito. Falem mal, mas (ah sei lá, foda-se quem fala mal!). Meu amigo, Pedro. A tragédia está entre ser Raulzito e o Amigo Pedro. Não sei também se dá pra chamar isso de tragédia.


Como um raio que cai em sua cabeça ou como um bacharel doutor proletário cult praticando a massagem linguopedal nos camelos do deserto você de uma hora pra outra se vê num auditório repleto de outros tantos como você. Você se acha especial mas um dia as máscaras caem e o que se revela sob seu rosto é a mesma massa mole de modelar. Ainda mais depois do aviso de Oito-Olhos: “sorte não existe, sorte é destino, azar o seu o que existe é derrota ou vitória”.
E como Oito-Olhos vai subindo a escada lateral do auditório como se o piso fosse feito de línguas úmidas massageando seus imensos e deformados e chulepentos e magníficos pés! E como ele se agarra ao microfone como se fosse uma tábua de salvação, prêmios aos homens que se vestem de mulher na hora do naufrágio pra furar a fila do estágio probatório da morte que os espera logo ali, entre os fios do microfone.
Mas, ei, os fios do microfone não são línguas umidificando seus ouvidos, a hora da foda é pra ser desagradável, outro aviso de Oito-Olhos, não deve ser contabilizada no item férias, passeios e cagadas agradáveis. Enfim, eis as sentenças de Oito-Olhos:

1. O plural de anfitrião é anfitriões. Mesmo assim fico feliz ao ver que esse auditório está lotado (de panacas).
2. Eu confecciono diplomas de Seres Humanos Completos aos subalternos que concluem a jornada.
3. Toda comissão permanente tem atribuições específicas.
4. Todo A será inevitavelmente igual a outro A, mas as siglas, como os vizinhos, não merecem confiança. UFO, por exemplo. Exemplo hipotético.
5. O Ricardo é um santo e se você tiver sorte um raio não cairá sobre sua cabeça.
6. O pagamento: ôba!
7. A Diretoria dos Portadores de Dependência Química.
8. Queria usar uma camisa de forças.
9. 20 minutos é pouco tempo quando o tema é a falta de assunto. (Enquanto fala isso, Oito-Olhos dá uma coçada no cu).
10. Esta cidade está crescendo desesperadamente.
11. Sempre sorrir e abolir a palavra “não”.
12. No que concerne ao meu coração, estou recebendo vocês na minha cozinha.
13. Recuperar a auto-estima sem dinheiro, só com o calor humano.
14. Pluralidade de idéias – mas com a obrigação da Idéia Única. O Todo. O consenso que leva ao maior consenso.
15. A Instituição foi pensada para a Eternidade. Foi pensada nisto. Mas cada um precisa de uma mesa. Cada um de nós é todos nós. E mesa é muito complicado: é uma construção civil.
16. Muito pouca gente entende isso.
17. Órgão de apoio é tudo apoio.
18. O poder é construído pelo Trono do Poder: a Caneta! A tarefa do Vice Poder é impedir o impedimento do Poder.
19. Nada de briga. Tudo tem que ser no intelectual.
20. Arroto, a nível de interação.
21. O orgulho é o objetivo da Empulhação Definitiva. Com 40% de Ética você será vitorioso na carreira.
22. O pagamento: oba!
23. Eu não conheço direito os meus amigos. Nós formamos um time.
24. As redes astronômica é a responsável pelo acontecer do ensino.
25. Eu tirei o bigode pra criar novos ares, mas isso dificulta o meu discurso.
26. Planejamento é o ato de planejar & uma coisa é comprar outra é guardar.
27. Acabou a moleza.
28. O pagamento: oba!
29. Já fui um incendiário de calça de boca de sino. Meus amigos enriqueciam costurando dentes de madames enquanto eu me matava de estudar. Agora estou aqui, sou o Poder. Tenho o previlégio de discursar.
30. De onde saíram os ETs desta mesa?
31. Terra cheia de confritos (mistura dialética de conflitos e ovos fritos).
32. A capacidade de catalisar pessoas para trabalhar nessa bandeira.
33. O amor própio é o ópio do povo.
34. O problema do atestado fajuto.
35. O pagamento: oba!
36. Vocês continuarão aqui pelo menos até 2400.
37. O era é experiência para fazer melhor. O sonho que esperamos torná-lo realidade.
38. Rejuvelhecer.
39. O Poder é estúpido, mas faz cara de paisagem.
40. A competição é te valorizar.
41. O Brasil é uma República, mas o Acre não conta.
42. Você não pode se casar com a sua irmã.
43. Um dia a máscara cai. Direita Administrativa: Direito Administrativo.
44. A polícia federal está aqui, graças a Deus.
45. LIMPE.
46. O caminho errado não vai dar em nada.
47. O pagamento: oba!
48. Na dúvida sempre pergunte: é simples assim?
49. Eu estou com vontade de chorar.
50. Vamos parar de inventar, por favor.
51. 40% de Ética é suficiente: escolha os itens que não desagradem a Chefia.
52. Capacitar para fortalecer a hierarquia.
53. Ninguém pode mudar o Sistema. Somos meros informantes.
51. Quanto tempo falta?
52. O negrito é uma filosofia de gestão.
53. O próprio formulário vai exigir isto de vocês.
54. É preciso olhar para frente, e não pelo retrovisor (para que não possamos olhar para o próprio rabo).
55. Nós temos que pagar por esta tranqüilidade.
56. Quanto tempo falta?
57. Minhas ações não condizem com o que eu faço.
58. Mulher normal não reclama do marido, mas interpretar não faz mal a ninguém.
59. O que não está na lei, não está no mundo; mas precisamos organizar o que está por trás.
60. Quanto tempo falta?
61. Não é permitido ter simpatias, antipatias, caprichos...
62. O pagamento: oba!
63. A pessoa jurídica não é palpável internamente.
64. Quanto tempo falta?
65. O pagamento: oba!
66. Quanto tempo falta?
67. Acabou!
68. LIMPE!

P.S.(69): Sempre dá para organizar tudo!

4/16/2009

Sobre um grafite metafísico (pra desdizer o que eu disse abaixo, Daniel)

Lendo o relato sobre um
que escrevia fora
de seu tempo,
“a alma é o cu de existir
nesta porra que chamamos vida.
Por ela passam fezes - as emoções.
Uma ou outra
suja suas bordas quando lhe atravessa.
Às vezes o Amor quer lhe invadir,
a todo custo,
e é sempre um estupro –
a dor é certa,
mesmo se houver prazer
na perversão
”,
percebeu que ele gastara quase meio século
mais seis anos do seguinte
pra escrever esta metáfora
gasta, idiota e portuguesa.

Melhor seria tomar o todo pela parte?
Ou é impossível encontrar de novo
o endereço da arte?

4/15/2009

Sem título

Coriza de buceta
Cu lacrimejante

Caga pelos olhos
Peida pelo nariz
Tem corrimento na língua

4/11/2009

Aventura no Procon de Cuberlândia



1.
Um Daniel sem fé
Pra enfrentar os leões
Do telemarketing, amestrados
Por administradores leões
Sem rosto, sem resposta. Aqui
Ninguém manda, mas todos
Se fodem.


2.
São garras invisíveis, mas
Finas e pentrantes como agulhas
Navegando por fios - Leviatã elétrico:
Quem vai responder por isso? Qual
Das três potências,
Os mafiosos do grupo lcr,
Especializados em extorsão extra-
Judicial? A “nossa” caixa de Pandora
E sua ouvidoria esperta
Como Ninguém, de ouvidos tapados
Com cera digital? A mastercard
Mestre dos Cartões, para os íntimos, masturbocard
O leão que bate uma punheta
Quando te vê se cagando
Na câmera oculta, sorria?



3.
Enfim o fato é que entre idas
E vindas viemos parar em mais
Outro porão habitado por sibilas
Sinuosas, comedoras de macarrão instantâneo,
Eu e você, minha senhora,
Me esqueci de perguntar o seu nome.
A senhora, ao contrário dos outros
Fodidos como nós, não acha graça
No programa escolhido a dedo
Por mais algum destes leões ocultos:

Na TV dois encanadores
Carregam tubos enormes de pvc
E propositalmente dão pancadas
Nas pessoas da rua. Depois
Uma secretária recém-contratada
Descobre que o chefe é um estuprador
Fugido do hospício (o estuprador
Foge do hospício e se traveste
De chefe, é sempre a mesma
História).
Mas no final todos se divertem.


4.
Pois é, a senhora não leu
Montaigne sobre a diversão
Um ensaio sobre a tática
Militar do desvio
De atenção, mas, como me diz,
Aprendeu tudo na vida
Que vale mais que todos
Os livros. E ainda por cima
Me explica que história
É polêmica pela natureza
Da própria palavra que diz
Eu conto, você conta
Uma história (de passagem
Fez um comentário sobre
O lado bíblico do meu nome,
Só acho que tenho mais
A ver com o sonho
Do gigante de pés de barro
Do que com a coragem da fé).

Mas o que dizer, minha
Senhora, isso eu não te perguntei
Devia ter feito, se o Proconsule
A masturbocard, a nossa caixa de Pandora
E a máfia lcr são o que sobrou da vida?
Que história pode
Ser contada por um homem
Sem fé?

4/10/2009

nestas mal traçadas




Nas longas cartas, tantas, sem motivo
(se é que cartas precisam de razão),
tentei em vão mapear o coração
pra que você viesse sem aviso
e sem se desculpar: a casa é sua,
mesmo que eu esteja ausente ou até perdido
por tantos descaminhos do sentido.
É sempre assim, a vida continua
a não nos prover mais dos seus motivos,
e a gente anda às tontas, de improviso,
pagando mais pecados que devia
– tarifas de que você anda farta.
Bem, isto é na verdade uma outra carta
que devo lhe escrever em qualquer dia.
(do livro "Circunstância".)

4/07/2009

Da série Amérika. Resenha de Significado da Fronteira na Vida Americana (uma ode de F. Turner)

Contra o deserto, o intocado, o incivil, o indomesticado, o índio


Amérika, vai nascendo de dentro de si mesma e cada traficante de peles e bonecos plásticos


é um guerreiro de sua causa quando faz um mergulho impetuoso na fonte esquecida, na mistura de sangue, seiva e terra que jaz encoberta pelas máscaras e pisos de mármore da Europa decadente e cada avanço é um retrocesso, uma descida ao inferno, um retorno ao tempo pulsante da animalidade, um reencontro com tudo o que a humanidade abandonou a duras penas, palmatórias e livros de etiqueta e como se injetasse um feto macerado na veia o nobre europeu se indianiza se indomestica se cavaliza se mistura ao ambiente se converte em verme se mineraliza e ganha a vida novamente e se refaz como seiva, sangue, esperma e o organismo renasce, mais complexo e viril, armado, os iroqueses experimentarão a fúria renovada e desse parto a fórceps no deserto, na hostilidade, emerge o heróico homem comum de veias interligadas aos seus rios, o coração na forma de seu mapa, sempre em expansão e nos olhos deste homem que aceitou encarar o Anjo Exterminador e em tudo o mais ele nada é além de você mesma


Amérika.

Sobre os chupchups, sacolés, lambelambes e laranginhas

Pensar sobre
Pensar simplesmente?

Pensar sobre o nada
Pesar sobre o nada e o silêncio

Viver o nada e o silêncio é outra coisa?
outra vida? ou outra história?

Vozes do silêncio
Linguagens do silêncio
do mal no bem
e do bem no mal
Para além do bem e do mal?

Em busca da moralidade
zoorastricamente perdida?

De quantas couves
e quantas flores
são feitas um homens: individuns endividados!

Estou em busca de uma nova religiosidade: entre um misticismo sem Deus e
um misticismo agnóstico: novas apostas, novas partidas
sem a casa partida?

Parto para viagens em busca de alçar vôo em meu navegar
vageado e, sobretudo, vagabundeando em meus eternos roubos

regiliogidade imaginária e imaginada: devaneios sobre o Real indizível
mas nem por isso invivido
na poesia do ser sendo, no cotidiano e no vôo dos tucanos
(o que busca um tucano em seu soberbo vôo no vale)

Vale tudo mesmo?

mística imaginada e desejada
fatástico lugar
onde o ateísmo seja uma crença
e as religiões uma descrença

em busca das verdades cindidas do real, fraturado e estriado
O Real tem celulite, deve ser que chove Coca-Cola

em busca do invísivel idisível da experiência do que aí pode não estar e estar
o viver e o morer tem prazes vivos e belos: recolocam mistérios e prazeres do Tempo
O tempo chora e ri?

Enfim, em busca do instante extraordinário.
Ou melhor, de cada instante extra-ordinário.
Extraordinário e oscilante, talvez até reconciliante?
Reconhecimento consciente e inconsciente da casa sem dono
Começarei minha navegação pelo porão: entre Aion e Chronos

São crónicas de um ser em busca da unidade dos indivíduos
Crônicas da morte vivida
Crônicas que anunciam a promessa do instante tateante
Há peixes que mergulham, há peixes das profundezas
e há peixes da superfície

Há ainda a baleia branca

Há homens que não se despertam
Há aqueles que saltam dos precipícios cotidianos, instantaneos
Outros buscam tesouros (ou esperam na esperança de encontrar)

De uma subjetividade de delírios profundos e superficiais
Para uma objetividade do semelhante em constante dívida e prece pecadora
Gostaria de matar a subjetividade capitalista e a cultura capitalistica: o que haverá depois disso?
Já existe? Já existiu? Ou está a nossa espera?

Mares, mortes e maremotos: a viagem prossegue agora em mares desconhecidos
Domesticando a mim mesmo em busca da pós-história, da pós-cultura
Gostaria de esperimentar por instantes o saber da liberdade interna e externa: contra as escravidões navego e sou navegado

A espera de uma nave espacial?
Enquanto espero surge a expectativa no horizonte de fulga de mergulhar
na liberdade do instante
mergulhar nas palavras ocas ainda a espera de sentidos
na beleza poética da existência da vida e das palavras

Na dúvida da dádiva do dom: me retiro

4/05/2009

Sobre ela

desenho de Franz Kafka, sem permissão do autor....



Uma voz me procura sonho adentro,
vida adentro, não sei se é este o lado
ou o outro, em que me venho só e ardendo
e não me chego cedo nem me tardo:
vivia de impresságios afogado,
no pendular das noites e dos dias
e da inconcreta espuma em que me vazo,
sonante espuma, flutuante e fria,
nasce mais um silêncio estarrecido,
crespo silêncio, todo ruga e gelo
- congela os olhos, sangue, boca, pelo.
Manchada a pele embaixo do tecido,
a voz me chega do buraco fundo:
a palavra é a véspera do mundo.