11/16/2006

Non-smoking Duchess


"Mas aquela que adoro, a hierática duquesa,
Nobre como as reais senhoras de Brabante,
Como a hei de pintar igual e semelhante
Se não há Som nem Cor em tôda a Natureza!"
(Gomes Leal)

Reflexos à pele esticada da testa, de qualquer claridade. Mancha de negro fundo para a figura do rosto o tênue vento, pintando cabelos. Está sentada, com o dedo na tala que torceu, acesso de raiva. Fala renitente pelo fino do nariz. Tesas costas, restos de bailarina. Preguiçosa pela perda da copa, causar-lhe-á a flâmula sombra na rua até despedaçar-se, enfim descrentes todos do escrete. Seus bicos dos saltos são finos demais. A boca faz traço, retendo úmida um friso de brilho.

Roubemos dela um abraço, selando por pouco o vácuo das fatias exiladas de seu plexo.

Um trejeito do cenho escapa em trajeto ao pleno olho. Coitada da fome de quem guardou da duquesa o contato. Não paga tal privilégio o lastro de mil rubis. Nem quebra o copo de brindada alegria ao bebê-la o peito em dó de mil Caubys.

Um comentário:

Eliana Pougy disse...

Esse final é lindo. Tudo é lindo.